
- Dólar recua após decisão judicial nos EUA que anula tarifas impostas por Trump
- Investidores mantêm foco no cenário fiscal brasileiro, considerado principal fonte de risco local
- Cotação do dólar comercial e turismo ainda reflete volatilidade, apesar de leve queda no dia
O dólar iniciou esta quinta-feira (29) em leve queda frente ao real, influenciado pela decisão de um tribunal dos Estados Unidos que bloqueou a maior parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump durante seu governo.
A medida foi interpretada pelo mercado como um alívio temporário nas tensões comerciais, o que favoreceu moedas de países emergentes, como o real. No entanto, analistas alertam que o ambiente doméstico ainda exige atenção, especialmente diante da crescente incerteza sobre a condução da política fiscal brasileira.
Às 9h10, o dólar à vista caía 0,11%, cotado a R$ 5,690 na venda. O dólar futuro negociado na B3 para o primeiro vencimento recuava 0,02%, sendo negociado a R$ 5,691.
A queda, embora modesta, representa um movimento de correção após a forte alta da véspera, quando a moeda norte-americana subiu 0,87% e encerrou o dia a R$ 5,6956.
Decisão nos EUA impacta os mercados
O tribunal dos Estados Unidos derrubou grande parte das tarifas impostas por Trump, o que representou uma vitória para o livre comércio e sinalizou que o governo norte-americano poderá moderar sua postura protecionista.
Investidores globais reagiram com otimismo, o que provocou uma onda de valorização das moedas emergentes e um leve enfraquecimento do dólar no cenário internacional.
Para o mercado cambial, a redução das tensões comerciais tende a beneficiar moedas como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano. No entanto, os especialistas ponderam que o impacto pode ser limitado, já que os fundamentos econômicos do Brasil ainda inspiram cautela, especialmente com os recentes sinais de fragilidade nas contas públicas.
Risco fiscal no Brasil
Apesar do alívio externo, o ambiente fiscal brasileiro segue como o maior fator de pressão sobre o câmbio. A dificuldade do governo em controlar gastos e apresentar medidas eficazes de contenção do déficit vem provocando volatilidade nos mercados. O recente aumento da percepção de risco fiscal, inclusive, foi o principal catalisador da disparada do dólar nas últimas semanas.
Com o avanço das discussões sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e as perspectivas de revisão da meta fiscal, os investidores permanecem atentos a cada sinal vindo de Brasília.
A expectativa, portanto, é de que o governo apresente em breve um plano mais claro para recompor receitas ou conter despesas, o que pode influenciar diretamente o rumo da moeda americana nas próximas sessões.
Cotações do dólar nesta manhã
- Dólar comercial (compra): R$ 5,689
- Dólar comercial (venda): R$ 5,690
- Dólar turismo (compra): R$ 5,899
- Dólar turismo (venda): R$ 5,719
Mesmo com o recuo pontual do dólar nesta manhã, analistas recomendam cautela aos investidores e lembram que o cenário doméstico ainda é frágil. Qualquer sinal de deterioração fiscal ou turbulência política pode reverter rapidamente o movimento de queda da moeda.