
- Ibovespa avança pontualmente, mas ações de Eletrobras e varejistas operam em queda significativa
- Siderúrgicas lideram alta com expectativas de retomada industrial e valorização das commodities
- Investidores monitoram incertezas fiscais no Brasil e indicadores econômicos dos EUA
O Ibovespa abriu a manhã desta quinta-feira (29) com oscilação moderada, influenciado por um cenário carregado de incertezas fiscais e dados econômicos internacionais. Mas, conseguiu renovar sua máxima do dia por volta das 10h22, quando registrou alta de 0,15%, aos 139.094 pontos.
Apesar da recuperação pontual, o movimento do índice esconde uma abertura marcada por quedas relevantes em ações de setores importantes, como o varejo e a energia.
Entre os destaques negativos, as ações da Eletrobras (ELET3 e ELET6) operaram em queda, refletindo a crescente desconfiança dos investidores sobre a estabilidade regulatória do setor elétrico. Além da indefinição política em torno da empresa desde sua privatização. Às 10h22, ELET3 caía 0,26%, enquanto ELET6 recuava 0,39%, destoando do otimismo pontual do índice.
O setor varejista, que já vem sofrendo com juros elevados e consumo enfraquecido, começou o dia com fortes perdas. O destaque ficou para Magazine Luiza (MGLU3), que despencava 1,88%, seguida por PETZ3 (-0,95%), AZZA3 (-0,72%) e BHIA3 (-0,48%).
A queda generalizada no setor reforça o impacto das incertezas econômicas no consumo das famílias e nos papéis mais sensíveis à atividade doméstica.
Enquanto isso, o setor de siderurgia se destacava positivamente, com ganhos puxados por CSN (CSNA3), que subia 1,27%, GOAU4 (+1,15%) e Gerdau (GGBR4), com alta de 0,50%. A expectativa de aumento na demanda por aço e a recuperação de preços internacionais têm sustentado o otimismo com essas empresas. Especialmente, diante da valorização recente de commodities.
Comportamento dos ativos
No setor bancário, o comportamento foi misto: Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,66%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) subia 0,11% e Bradesco (BBDC4) avançava 0,19%. O desempenho desigual entre os grandes bancos reflete tanto a rotação de carteiras quanto o impacto de possíveis mudanças regulatórias no horizonte.
Petrobras, uma das âncoras do Ibovespa, iniciou o dia em leve baixa: PETR3 caía 0,06% e PETR4 recuava 0,10%. As chamadas “Petros juniores” apresentavam performance mista: PRIO3 avançava 0,64%, enquanto RECV3 caía 0,40%.
A instabilidade dos preços internacionais do petróleo, aliada a ruídos sobre a política de preços da estatal, mantêm os investidores cautelosos.
Frigoríficos e supermercadistas também não apontaram direção clara: enquanto JBS (JBSS3) subia 0,72%, Minerva (BEEF3) perdia 0,96%. Entre os supermercados, ASAI3 recuava 1,48%, mas Carrefour Brasil (CRFB3) subia 0,36%.
Além do cenário interno conturbado, com o impasse sobre o decreto do IOF (que o Congresso ameaça derrubar), investidores monitoram de perto dados de emprego nos EUA e indicadores econômicos globais, que podem influenciar o comportamento dos juros internacionais e, por consequência, os fluxos de capital nos mercados emergentes.
Às 10h08, o Banco Central divulgou a primeira parcial da PTAX com compra a R$ 5,6634 e venda a R$ 5,6640, refletindo uma leve estabilidade no câmbio. Porém, o dólar ainda opera com alta pressão diante da insegurança fiscal e da dependência de novas definições por parte da equipe econômica brasileira.
O cenário desta manhã confirma que, embora o Ibovespa tente manter uma trajetória de recuperação, o mercado segue profundamente dividido, com ações ligadas ao consumo e à confiança do investidor em queda, e ativos defensivos ou atrelados a commodities em alta.