
- Banco Master demitiu 86 funcionários sem aviso prévio, gerando protesto do sindicato.
- Veto do Banco Central ao acordo com o BRB elevou a pressão sobre a instituição.
- Dívida em CDBs soma R$ 31 bilhões, mais da metade dos passivos totais.
O Banco Master anunciou a demissão de 86 funcionários em São Paulo como parte de um esforço para conter despesas. A medida foi comunicada ao Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região em meio a um cenário de forte instabilidade para a instituição.
O movimento ocorre logo após o Banco Central barrar a compra da instituição pelo BRB, o que agravou a situação financeira do Master e colocou em risco sua capacidade de cumprir compromissos com investidores e credores.
Sindicato pressiona por respostas
O sindicato realizou um protesto em frente à sede do banco, na Faria Lima, cobrando transparência sobre as demissões, que ocorreram sem aviso prévio. Para a entidade, a falta de comunicação representa desrespeito ao canal de negociação e intensifica a desconfiança sobre a real situação da instituição.
Em reunião, o Master reconheceu a falha e afirmou que não há previsão de novos cortes no curto prazo. O banco, no entanto, reforçou que vive um “momento delicado de contenção de despesas”, justificando a decisão.
A equipe jurídica da instituição informou ainda que está em andamento a elaboração de um plano de contingência a ser apresentado ao Banco Central, medida que visa garantir estabilidade mínima e acalmar credores diante do cenário de incerteza.
Impacto do veto do Banco Central
As demissões ganharam peso adicional por acontecerem logo após o BC vetar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O acordo previa a aquisição de R$ 23 bilhões em ativos, operação considerada fundamental para o futuro da instituição.
Com o veto, o Master perdeu a chance de reforçar seu caixa de forma significativa, elevando a preocupação com a capacidade da instituição de manter liquidez. Ademais, esse cenário pressiona a direção do banco a buscar alternativas emergenciais.
Especialistas afirmam que a falta de um investidor forte, como o BRB, aumenta a vulnerabilidade do Master. O banco depende de renegociações com o BC e cortes de despesas.
Dívida bilionária em CDBs
De acordo com o balanço de 2024, o Master encerrou o ano com R$ 31 bilhões em dívidas de CDBs, valor que corresponde a 53,2% de um passivo total de R$ 58,3 bilhões. Os títulos rendem até 140% do CDI e agora pressionam o caixa do banco.
Essa estratégia, que em momentos de maior confiança atraía investidores, hoje se converte em passivo difícil de administrar. O alto custo dos papéis amplia a necessidade de capital e reduz a margem para manobras financeiras.
Sem a concretização da venda para o BRB, o Master precisa encontrar rapidamente alternativas de liquidez. Entre as opções, estão a renegociação direta com credores, o reforço regulatório via Banco Central ou a venda de ativos menos estratégicos.