Fim da turbulência?

Azul (AZUL4) prevê retomada com alavancagem menor nos EUA

Companhia reduziu projeções de crescimento no novo plano de negócios, mas mantém confiança no sucesso das negociações com fabricantes e arrendadores.

A320neo Azul 01
A320neo Azul 01
  • Azul projeta alavancagem líquida de 2,5x ao sair do Capítulo 11.
  • Crescimento revisado para baixo, mas com foco em desalavancagem e rentabilidade.
  • Negociações com OEMs e arrendadores seguem em andamento, com perspectiva positiva.

A Azul (AZUL4) informou nesta sexta-feira (24) que projeta alavancagem líquida de 2,5 vezes ao final do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Capítulo 11). O dado foi divulgado em fato relevante e marca uma etapa importante na reestruturação financeira da companhia aérea, que busca consolidar sua volta à normalidade operacional.

A empresa também revisou as projeções de seu plano de negócios, reduzindo o ritmo de crescimento, mas mantendo o otimismo em relação à retomada.

Revisão do plano de negócios reduz projeções de crescimento

De acordo com a nova atualização, a receita CAGR (taxa de crescimento anual composta) caiu de 7,4% no plano de julho para 5,8% no de outubro. O Ebitda ajustado CAGR também foi revisado, passando de 12,2% para 9,3%.

A companhia estima agora receita operacional líquida de R$ 5,7 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,99 bilhão.

Assim, embora os números indiquem um ritmo mais moderado, analistas destacam que o foco da Azul segue em reduzir dívida, renegociar contratos de frota e estabilizar margens.

Desse modo, o plano reforça ainda o objetivo de encerrar o Capítulo 11 com estrutura de capital mais saudável e menor exposição cambial, fator crítico para o setor aéreo.

Negociações em andamento com fabricantes e arrendadores

No comunicado, a Azul destacou que segue negociando com fabricantes de aeronaves e motores (OEMs) e arrendadores de frota, em busca de melhores condições contratuais.

Nesse sentido, a companhia afirmou estar confiante no sucesso das tratativas, previstas para as próximas semanas.

Além disso, essas conversas são parte essencial do processo de reestruturação, já que podem reduzir custos operacionais e ampliar a flexibilidade financeira da aérea.

Portanto, caso concluídas com sucesso, a empresa deve sair da recuperação com dívida menor, margens maiores e mais previsibilidade operacional.

Mercado acompanha expectativa de retomada

Com a nova estimativa de alavancagem líquida de 2,5x, a Azul indica uma recuperação mais sólida do que a esperada no início do processo.

Ademais, investidores observam que a redução da dívida e a melhora do Ebitda são fatores-chave para o papel retomar tração na B3.

Por fim, a ação AZUL4 encerrou a última sessão a R$ 11,34, acumulando alta de 28% no mês, reflexo da expectativa de uma saída bem-sucedida do Capítulo 11 e de melhor visibilidade para 2025.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.