
- Bancos como BTG e Goldman veem potencial de valorização e retomada de confiança.
- Vale (VALE3) lucra US$ 2,7 bilhões no 3T25 e supera expectativas.
- Custos e dívida caem, reforçando a eficiência operacional e o FCF positivo.
A Vale (VALE3) mostrou que o pior já passou. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 11% frente ao mesmo período do ano passado, impulsionada por fortes resultados em minério de ferro e cobre.
O desempenho superou as projeções do mercado, que esperavam US$ 2,1 bilhões, segundo a LSEG. Analistas apontam que a companhia volta a reconquistar a confiança dos investidores após enfrentar anos de desafios operacionais e institucionais.
Custos controlados e eficiência operacional
O relatório da XP Investimentos destacou o controle de custos como principal fator positivo. O custo C1 por tonelada atingiu US$ 20,70, queda de 6% ante a projeção da casa e estável na comparação anual. A empresa reafirmou a meta de manter o custo entre US$ 20,5 e US$ 22,0 por tonelada em 2025.
A Vale também reduziu em 30% os custos all-in de cobre, além de cortar sua dívida líquida expandida para US$ 16,6 bilhões, impulsionada por fluxo de caixa livre (FCF) recorrente de US$ 1,6 bilhão. Além disso, houve ainda o reforço da aliança de US$ 1 bilhão e pagamento de dividendos de US$ 1,5 bilhão no trimestre.
Portanto, analistas da XP ressaltam que a gestão disciplinada e a redução no guidance de custos devem mitigar o impacto de eventuais quedas no preço do minério de ferro.
Lucro acima das estimativas e confiança renovada
O Ebitda pró-forma da Vale ficou em torno de US$ 4,4 bilhões, crescimento de 28% na base anual. Nesse sentido, o Itaú BBA apontou que o resultado superou suas expectativas em 4%, com desempenho melhor que o previsto nas divisões de níquel e cobre.
Ademais, para o analista João Daronco, da Suno Research, os destaques foram o aumento nos volumes vendidos, a eficiência de custos e o avanço nos preços do minério e do cobre. “O resultado é sólido e confirma a recuperação operacional da empresa”, afirmou.
Desse modo, a produção da Vale atingiu níveis recordes desde 2018, e os custos de breakeven na China continuam em queda, reforçando o ganho de competitividade no mercado global.
Reavaliação positiva e visão de longo prazo
O Goldman Sachs manteve recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 14, sugerindo potencial de alta de 18%. O BTG Pactual elevou a recomendação de neutra para compra, afirmando que a mineradora recuperou a confiança institucional e operacional.
O Morgan Stanley, por outro lado, segue neutro, citando ausência de dividendos e recompra de ações no trimestre. Ainda assim, reconhece que o resultado foi “acima do esperado”. Já a Genial Investimentos vê o papel como oportunidade, com preço-alvo de R$ 75, citando o minério de ferro a US$ 107/t e cenário macro mais claro após o acordo EUA-China.
Entre as grandes mineradoras, a Vale se destaca por fluxo de caixa livre mais atraente e estratégia de capital mais transparente. Em suma, analistas enxergam o 4º trimestre como o mais forte do ano, com embarques robustos e dívida em queda.