
- Cosan (CSAN3) comprou 6,5% da Vale (VALE3) em estrutura bilionária com derivativos e ações.
- O grupo financia a operação com recursos próprios, sem aumentar a dívida.
- Entrada reforça o plano de expansão de Rubens Ometto e o foco em recursos naturais.
A Cosan (CSAN3) anunciou uma nova e ambiciosa movimentação no mercado: a construção de uma posição de 6,5% na Vale (VALE3), em uma estratégia que reforça o avanço do grupo de Rubens Ometto sobre setores estratégicos da economia.
O movimento marca a entrada definitiva da Cosan no setor de mineração, consolidando o conglomerado como um dos principais players brasileiros de energia, transporte e agora, minério de ferro.
Estratégia bilionária e financiamento sofisticado
A posição da Cosan é composta por 1,5% das ações compradas no mercado à vista e por um zero-cost collar equivalente a mais 3,46% do capital, totalizando 4,9% da mineradora, uma fatia avaliada em cerca de R$ 18,5 bilhões.
Além disso, a empresa estruturou um segundo collar de 1,6%, cuja efetivação dependerá de aprovação do CADE. O modelo de derivativos limita perdas e ganhos, permitindo que a Cosan converta a participação em ações nos próximos cinco anos.
Desse modo, a companhia afirma que a operação não aumenta o endividamento. O grupo financiará o desembolso por meio de um instrumento non-recourse, garantido pelos dividendos de suas outras subsidiárias.
Expansão sem diluição e foco em valor
Marcelo Martins, diretor de estratégia da Cosan, disse que a compra será financiada com venda de ativos, sem novas emissões.
“Não vamos fazer nada que comprometa o plano estratégico das empresas que já temos”, disse Martins. Além disso, a transação reforça a política da Cosan de crescer com disciplina financeira e manter o controle sobre suas operações.
Portanto, o executivo destacou que o investimento na Vale faz parte de uma revisão de portfólio iniciada em maio, após a maturação de ativos relevantes como Raízen, Compass, Radar e Rumo (RAIL3).
Vale no radar da Cosan
A Cosan decidiu investir na mineradora em 2024, ao comprar o Porto São Luiz e firmar parceria com Paulo Brito, dono de reservas no Pará.
Ademais, o grupo de Rubens Ometto ampliou sua fatia na Vale e entrou no núcleo de acionistas relevantes. A mineradora está sem controle definido desde 2023. Segundo Martins, o objetivo é ser um “bom sócio” entre os investidores da Vale.
Em suma, bancos como JP Morgan e Citi participaram da estruturação da operação, enquanto Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) coordenaram o financiamento non-recourse de R$ 8 bilhões.