
- Mercado já mira 2026, avaliando se o banco conseguirá manter o “gap” frente aos rivais.
- Lucro líquido do Itaú (ITUB4) sobe para R$ 11,9 bilhões no 3º tri, acima do consenso.
- ROE de 23,3% e CET1 de 13,5% reforçam solidez e espaço para dividendos extras.
O Itaú Unibanco (ITUB4) apresentou um resultado sólido e previsível no terceiro trimestre, reforçando sua posição de destaque entre os grandes bancos brasileiros. O lucro líquido de R$ 11,9 bilhões superou levemente o consenso e cresceu 3,2% em relação ao trimestre anterior e 11,3% frente a 2024.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 23,3%, praticamente estável no trimestre, mas acima dos 22,7% registrados há um ano. O desempenho reforça a consistência operacional do banco, mesmo com um cenário de crédito ainda desafiador. Agora, o mercado volta as atenções para 2026, tentando antecipar o quanto ainda há de fôlego para expansão.
Lucro firme, carteira em ritmo moderado
A carteira de crédito total do Itaú cresceu 0,9% no consolidado e 1,2% no Brasil, quando comparada ao trimestre anterior. Na base anual, as altas foram de 6,4% e 7,8%, respectivamente. Apesar da expansão, a margem financeira com clientes subiu apenas 0,5%, o que reduziu a rentabilidade sobre ativos de 9,2% para 9% no período.
Por outro lado, a margem com o mercado veio acima das estimativas e levou o banco a revisar seu guidance para um intervalo entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões em 2025, ante a projeção anterior de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões. O resultado mostra disciplina na gestão de balanço e diversificação de receitas.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, enquanto os atrasos entre 15 e 90 dias subiram para 2%, reflexo do default isolado de uma empresa já provisionado. O movimento não altera o cenário de qualidade de crédito, segundo o próprio Itaú.
Capital robusto e apetite por dividendos
O índice de capital principal (CET1) atingiu 13,5%, reforçando o espaço para pagamentos adicionais de dividendos e eventuais recompras de ações. Com a solidez patrimonial, o Itaú mantém margem para crescer sem comprometer liquidez ou rentabilidade.
A administração segue atenta à eficiência operacional e ao controle de custos, dois pilares da gestão de Milton Maluhy, que vem conduzindo o banco a um ciclo mais conservador de expansão. Ainda assim, há expectativa de novas avenidas de crescimento, especialmente nas frentes digitais e de crédito premium.
De acordo com analistas, o mercado agora quer mais previsibilidade estratégica: enquanto o Itaú lidera em rentabilidade, seus concorrentes começam a encurtar a distância. A grande dúvida é se o banco conseguirá sustentar o “gap” de performance nos próximos trimestres.
Mercado ajusta apostas para 2026
Entre gestores, a percepção é de que as ações do Itaú já precificam um crescimento de lucro entre 9% e 10% neste ano, abaixo da média de 10% a 15% registrada nos últimos três anos. Isso sinaliza menor espaço para surpresas positivas no curto prazo, mas reforça o perfil de resiliência da instituição.
Para 2026, o foco passa a ser eficiência, inovação e capitalização. O banco está bem provisionado e deve manter ritmo constante de geração de valor, mesmo em um ambiente macroeconômico mais competitivo.
“O mercado sempre quer mais”, resumiu um analista ouvido pela Bloomberg. Segundo ele, o Itaú abriu vantagem, mas o desafio agora é manter a liderança sem depender apenas da estabilidade dos lucros.