
- Raízen (RAIZ4) negocia conversão de quase metade da dívida em ações
- Credores podem assumir cerca de 80% da companhia
- Shell prepara aporte de R$ 3,5 bilhões durante reestruturação
A Raízen (RAIZ4) deixou o mercado em alerta devido aos recentes desdobramentos. A companhia avançou nas negociações finais de sua reestruturação financeira e pode passar por uma das maiores mudanças corporativas já vistas no setor de energia brasileiro.
Além disso, o plano em discussão prevê que os credores assumam quase 80% do controle da companhia após a conversão de parte da dívida em ações. O movimento envolve cerca de R$ 65 bilhões, na maior recuperação extrajudicial da história do país.
Dívida bilionária muda estrutura da companhia
Pelo modelo negociado, aproximadamente 45% da dívida será transformada em participação acionária. Com isso, os credores ganharão espaço dominante no capital da empresa, enquanto os atuais controladores terão fatia significativamente reduzida.
Ao mesmo tempo, a Shell deve realizar uma capitalização de R$ 3,5 bilhões, reforçando o caixa da operação durante o processo de reorganização. A medida busca melhorar a liquidez e acelerar a recuperação financeira do grupo.
Além da reestruturação, o plano prevê uma divisão operacional. Dessa forma, uma empresa ficará focada na produção de etanol, enquanto a outra concentrará a distribuição de combustíveis, tentativa vista pelo mercado como estratégia para destravar valor.
Nova gestão entra no radar do mercado
A companhia também prepara mudanças profundas em sua governança. Está prevista para o primeiro trimestre de 2027 a eleição de um novo conselho de administração, alinhado ao novo desenho societário.
Enquanto isso, será criado o cargo de CRO (Chief Restructuring Officer), executivo responsável pela condução da reestruturação. O posto deve ser ocupado por Lorival Luz, atual diretor financeiro do grupo e ex-CEO da BRF.
Com isso, investidores acompanham os próximos passos da operação, já que a reestruturação pode redefinir completamente o futuro da companhia no setor de energia e combustíveis.