Resultados mistos

CSN (CSNA3) decepciona no 3T25: dívida cresce e BTG mantém cautela com a holding

Apesar da leve melhora operacional, pressão no aço e endividamento elevado mantêm analistas do BTG mais otimistas com a CSN Mineração.

CSN Mineracao 2
CSN Mineracao 2
  • Banco mantém cautela com a holding e reforça preferência pela CSN Mineração.
  • BTG vê melhora operacional limitada e dívida líquida em alta na CSN (CSNA3).
  • Setor de aço continua pressionado, enquanto o cimento mostra recuperação gradual.

A CSN (CSNA3) apresentou resultados mistos no terceiro trimestre de 2025 (3T25), segundo análise do BTG Pactual. Embora o desempenho da área de mineração tenha impulsionado a operação, os segmentos de aço e cimento mostraram sinais divergentes, com apenas o segundo registrando melhora sequencial.

Ainda assim, o progresso na desalavancagem foi mínimo. O BTG destacou que a relação dívida líquida/Ebitda caiu apenas 0,1x, enquanto o endividamento total subiu de R$ 35,6 bilhões para R$ 37,5 bilhões. O fluxo de caixa livre também permaneceu negativo, o que reforça as preocupações do mercado com a geração de caixa da holding.

Aço segue pressionado

Mesmo com a leve recuperação do setor de cimento, a divisão de aço continua sob forte pressão devido à desaceleração da demanda e à competição com o produto importado. O BTG observou que o cenário interno ainda limita margens e afeta a rentabilidade da companhia.

A valorização recente do minério de ferro contribuiu para amenizar parte do impacto, mas o resultado consolidado da CSN mostra dificuldades para equilibrar receitas e custos.

Para o banco, a recuperação plena depende de cortes de custos mais agressivos e de um cenário de preços mais favorável no setor siderúrgico.

No curto prazo, a visão dos analistas é de estabilidade operacional, mas sem catalisadores suficientes para uma reprecificação relevante das ações.

Dívida preocupa e foco muda para mineração

A alta de R$ 1,9 bilhão na dívida líquida chama atenção e reforça o tom de cautela do BTG. O banco avalia que, mesmo com pequenas melhorias na geração operacional, o grupo ainda carece de eficiência financeira para reduzir o endividamento em ritmo consistente.

Por isso, os analistas mantêm preferência pela CSN Mineração, que apresenta melhor rentabilidade e menor risco de alavancagem.

O BTG destaca ainda que a holding enfrenta desafios para retomar o equilíbrio entre investimentos e fluxo de caixa, em meio a um cenário macroeconômico menos previsível.

O relatório recomenda prudência no curto prazo, destacando que o foco da CSN deve ser otimizar capital e conter dívidas antes de expandir novos projetos.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.