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Fechamento: Ibovespa tem 11ª alta seguida leva índice a novo recorde histórico

Bolsa ignora cenário externo e fecha em nova máxima, com apoio de PETR4 e VALE3; dólar recua e mercado aguarda decisão do Copom.

Fechamento mercado
  • Mercado aguarda decisão do Copom, enquanto exterior repercute debates sobre tarifas e IA
  • Ibovespa sobe pela 11ª sessão e marca novo recorde histórico, aos 153.294 pontos
  • Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) sustentam o índice; C&A (CEAB3) dispara com balanço

O Ibovespa alcançou um novo patamar histórico nesta quarta-feira (5), rompendo as marcas de 151 mil, 152 mil e 153 mil pontos, e encerrando o pregão aos 153.294,44 pontos, em alta de 1,72%. Essa foi a 11ª alta consecutiva, igualando a sequência positiva de julho de 2024.

O índice segue desafiando limites. Em apenas um dia, avançou 2.590 pontos, impulsionado por ações de grandes companhias, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4). O desempenho veio mesmo com Wall Street operando em ritmo moderado, refletindo o impacto da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas comerciais.

Mercado em euforia e juros no radar

A maré positiva no Brasil ocorre na véspera da decisão do Copom, que deve manter a Selic em 15%, mas com tom mais cauteloso na comunicação. O real também brilhou, com o dólar recuando 0,70%, a R$ 5,36, enquanto os juros futuros (DIs) cederam em toda a curva.

Especialistas acreditam que o Banco Central deve reforçar o discurso de vigilância contra a inflação, apesar dos sinais de descompressão nos preços. O mercado aguarda também a sinalização sobre os próximos passos da política monetária, especialmente após o recente rali do Ibovespa.

De acordo com Gilberto Coelho, analista técnico da XP, o índice está em tendência clara de alta. “Acima dos 151 mil pontos, pode buscar 152.400 ou 157 mil, pelas projeções de Fibonacci”, afirmou. O suporte, segundo ele, está nos 149.700 pontos.

Lula, IR e tarifaço: Brasília entra no jogo

O ambiente político também colaborou. O projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil avançou no Senado e agora segue para o plenário. O tema, de forte apelo popular, animou investidores locais.

Além disso, o governo tenta evitar o tarifaço sobre produtos importados. O chanceler Mauro Vieira se reunirá na próxima semana com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, em evento do G7 no Canadá, para tratar de negociações bilaterais.

Fontes do Itamaraty afirmam que há avanços técnicos nas discussões, o que pode reduzir o impacto inflacionário de medidas externas. Essas conversas vêm sendo vistas como um ponto de alívio para o câmbio e para a confiança do investidor estrangeiro.

Exterior divide atenções entre IA e Suprema Corte

Nos EUA, o clima é de expectativa. A Suprema Corte americana iniciou as sustentações orais sobre as tarifas impostas por Donald Trump, reacendendo o debate sobre protecionismo e política comercial.

Apesar da cautela, o S&P 500, o Dow Jones e a Nasdaq encerraram o dia no azul, apoiados por empresas de tecnologia e Inteligência Artificial. Analistas alertam, no entanto, para avaliações “esticadas” e riscos de correção.

Enquanto isso, o setor privado americano criou 42 mil empregos em outubro, acima do esperado, e o setor de serviços acelerou no mesmo período, segundo o ISM. O Federal Reserve deve acompanhar de perto esses dados antes de ajustar os juros.

Vale e Petrobras disparam e puxam a B3

Entre as ações de destaque no Brasil, Vale (VALE3) subiu 1,72%, mesmo com queda no minério de ferro. Já Petrobras (PETR4) avançou 1,98%, após decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A corte deu provimento a um recurso da estatal em ação de R$ 2,9 bilhões contra a Paragon Offshore Nederland B.V.

O movimento ajudou a sustentar o rali do Ibovespa, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou ganhos de 0,43%, após divulgar resultados do 3T25. A instituição reforçou sua rentabilidade sólida e foco em eficiência.

CSN (CSNA3) caiu 4,60%, pressionada pela dívida e fluxo de caixa negativo, enquanto C&A (CEAB3) disparou 8,51% após lucro forte no trimestre. Odontoprev (ODPV3), por outro lado, despencou 8,29%, refletindo desempenho abaixo do esperado.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.