Aviso de risco

Dólar pode despencar como na bolha dos anos 2000, alerta banco

O RBC Capital Markets vê risco de uma queda prolongada do dólar, semelhante à que ocorreu após a bolha da internet, e recomenda estratégias de proteção imediatas.

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  • Mudanças nos fluxos globais de capital e tensões geopolíticas ampliam o risco cambial.
  • RBC alerta para risco de queda prolongada do dólar semelhante à bolha dos anos 2000.
  • Banco recomenda estratégias de hedge, incluindo opções em euro e iene.

O dólar americano pode enfrentar um colapso semelhante ao da virada dos anos 2000, quando a moeda perdeu 40% de valor após o estouro da bolha da internet, segundo o RBC Capital Markets. O banco alerta para um ciclo de alta e queda prolongado nos próximos anos, impulsionado por mudanças na alocação global de ativos.

O estrategista Richard Cochinos, do RBC, afirma que a moeda dos EUA foi sustentada por fluxos massivos de investimentos em ações americanas e fundos passivos, mas que esse movimento está perto do esgotamento. A reversão desses fluxos pode gerar uma forte pressão de venda e um novo ciclo de desvalorização estrutural do dólar.

RBC vê semelhança com o início dos anos 2000

Nas últimas duas décadas, investidores estrangeiros favoreceram ativos americanos caros, especialmente em tecnologia, o que elevou o dólar. “Essa concentração funcionou bem por 15 anos, mas apresenta riscos no ambiente atual”, escreveu Cochinos.

O analista aponta que, quando o capital se diversifica após um choque, como em 2000, ocorre uma forte correção da moeda americana. Além disso, naquele período, o dólar perdeu cerca de 40% do pico ao vale entre 2001 e 2008, um dos maiores ciclos de queda da história recente.

Agora, a combinação de altas avaliações de mercado, tensões geopolíticas e mudanças no comércio global pode reproduzir um movimento parecido. Desse modo, o RBC vê no cenário atual sinais de exaustão estrutural, com risco crescente de ajustes abruptos nos portfólios internacionais.

Recomendações de proteção para investidores

Diante do cenário, o RBC recomenda que traders e gestores adotem estratégias de hedge cambial para mitigar perdas em caso de desvalorização do dólar. Assim, a instituição sugere o uso de opções sintéticas de compra no ICE US Dollar Index, além de opções binárias sobre o euro (EUR) e o iene (JPY).

Entre as estruturas mais diretas, o banco indica:

  • Opção de compra de dois anos em EUR/USD com preço de exercício em 1,30, equivalente a uma queda de cerca de 12% do dólar.
  • Opção de venda de dois anos em USD/JPY com exercício em 130, implicando desvalorização de cerca de 15%.

Essas estratégias são voltadas a quem busca proteção gradual e flexível contra um possível ciclo de queda prolongada. Portanto, Cochinos ressalta que “a gestão de riscos de cauda deve estar no centro das atenções à medida que avançamos para 2026”.

Riscos ampliados e novo cenário global

A análise do RBC também destaca que o ambiente atual é diferente do início dos anos 2000. O avanço de ativos ilíquidos e investimentos privados pode amplificar oscilações em períodos de estresse financeiro.

Ademais, para o estrategista, as lições do passado continuam válidas, mas exigem ajustes: “As condições de hoje, com mudanças tecnológicas rápidas, tensões geopolíticas e política monetária não convencional, tornam os frameworks tradicionais de alocação menos eficazes.”

Em síntese, o banco vê um dólar vulnerável, sustentado artificialmente por fluxos concentrados e agora exposto a uma mudança estrutural de longo prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.