
- Acordo coletivo segue travado, com assembleias rejeitando proposta da empresa em todo o país.
- Petrobras (PETR4) anunciou R$ 12,2 bilhões em dividendos após lucro trimestral recorde.
- FUP acusa a estatal de privilegiar acionistas estrangeiros e endurecer nas negociações salariais.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou duramente o pagamento de R$ 12,2 bilhões em dividendos anunciado pela Petrobras (PETR3; PETR4) após o balanço do terceiro trimestre. Segundo a entidade, a empresa privilegia acionistas enquanto impõe cortes e travas salariais aos empregados.
O coordenador-geral da federação, Deyvid Bacelar, afirmou que o contraste entre os lucros bilionários e a resistência da estatal nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) “expõe uma política de austeridade injustificável”.
Lucro bilionário e reação sindical
No terceiro trimestre, a Petrobras (PETR4) registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, alta de 23% em relação ao trimestre anterior. Do montante, R$ 12,16 bilhões foram destinados a dividendos, elevando o total distribuído no ano para R$ 32,6 bilhões, o equivalente a 34,5% do lucro líquido.
Mesmo com os resultados positivos, a FUP argumenta que a estatal endurece as negociações salariais, mantém demissões de terceirizados e não resolve pendências no fundo de previdência Petros. A entidade classificou o comportamento da empresa como “contraditório”.
“É inadmissível manter uma política que enche os bolsos dos acionistas, especialmente estrangeiros, enquanto falta disposição para valorizar os trabalhadores”, declarou Bacelar.
Negociações travadas e assembleias
A categoria está em plena votação do Acordo Coletivo de Trabalho, cuja proposta da estatal já foi rejeitada por unanimidade em assembleias de todos os sindicatos ligados à FUP. A última rodada ocorre nesta sexta-feira (7).
Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, estabilidade para terceirizados e solução para os equacionamentos da Petros. Além disso, segundo o sindicato, a direção da empresa alega dificuldades por conta da “queda momentânea do preço do barril de petróleo”.
Portanto, apesar das justificativas, a federação sustenta que a Petrobras apresenta alta lucratividade e pode avançar nas pautas trabalhistas sem comprometer sua saúde financeira.
Dividendo em meio à pressão política
O anúncio dos dividendos ocorre em meio a uma pressão crescente do governo e de conselheiros para que a estatal adote uma política de distribuição mais equilibrada, priorizando investimentos e capital humano.
A empresa, por outro lado, defende que segue seu plano estratégico e política de remuneração aos acionistas aprovada pelo conselho. Logo, o caso reacende o debate sobre o papel da Petrobras como empresa pública e geradora de valor social.
Enquanto isso, investidores celebram o retorno financeiro e as ações da companhia (PETR4) seguem estáveis no mercado, mesmo diante das críticas sindicais.