Saúde e negócios

Mater Dei (MATD3) registra maior EBITDA da história e acelera geração de caixa com novos hospitais

Rede hospitalar mineira tem trimestre recorde, supera projeções de analistas e inicia ciclo de desalavancagem com forte eficiência operacional.

ipo mater dei
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  • Mater Dei (MATD3) registra EBITDA recorde de R$ 126 milhões e margem de 22,2%, acima das projeções;
  • Hospitais de Nova Lima e Salvador impulsionam crescimento e eficiência operacional;
  • Geração de caixa livre positiva e redução da dívida em R$ 42 milhões sinalizam início de novo ciclo financeiro.

A Mater Dei (MATD3) registrou o maior EBITDA de sua história no terceiro trimestre de 2025. O resultado foi impulsionado pela eficiência operacional e, além disso, pelo avanço dos novos hospitais de Nova Lima e Salvador. O resultado consolidou o melhor desempenho financeiro do grupo desde o IPO e reforçou sua capacidade de geração de caixa.

O EBITDA atingiu R$ 126 milhões, alta de 38,7% na comparação anual, com margem de 22,2%, um ganho de 3,6 pontos percentuais. No acumulado do ano, o indicador chegou a R$ 338 milhões, alta de 17,6%. Os números superaram as estimativas do mercado, que esperavam EBITDA de R$ 118 milhões e margem de 21,3%.

Receita forte e desempenho acima do esperado

A receita líquida do Mater Dei cresceu 16,3%, para R$ 567 milhões, impulsionada pelo aumento de 10,9% no tíquete médio e pela maturação das unidades mais novas.

O CEO José Henrique Salvador destacou que o trimestre foi marcado por crescimento combinado à expansão da eficiência: “Os hospitais mais maduros estabilizaram com avanço sólido, enquanto as unidades de Nova Lima e Salvador apresentaram ramp up expressivo.”

A unidade de Nova Lima, inaugurada em agosto de 2024, já apresenta margem EBITDA superior à do grupo. Isso ocorre porque prioriza oncologia, medicina diagnóstica e cirurgias complexas. Além disso, a proximidade logística com outras unidades reduz custos administrativos, o que fortalece a eficiência operacional.

Já o hospital de Salvador, aberto em 2022, teve alta de 27% na receita líquida, com forte crescimento nos pacientes oncológicos (+59%) e cirúrgicos (+24%).

Lucro impactado por alongamento de dívida

O lucro líquido foi de R$ 27 milhões, abaixo do consenso de R$ 30 milhões, devido a um efeito não recorrente de R$ 8 milhões relacionado ao alongamento das debêntures da companhia.

Além disso, a operação estendeu o vencimento dos títulos em quatro anos e reduziu o custo em 50 basis points, reforçando a estrutura financeira de longo prazo.

Sem esse impacto, o lucro teria alcançado R$ 35 milhões. O CEO afirmou que a decisão foi estratégica: “Preferimos ajustar o perfil da dívida agora para garantir um ciclo sustentável de geração de caixa.”

Geração de caixa robusta e redução de alavancagem

O trimestre também marcou uma melhora expressiva na geração de caixa. O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 134 milhões, e o fluxo de caixa livre, após investimentos, juros e impostos, foi de R$ 67 milhões.

Ademais, mesmo após recompras de ações (R$ 14 milhões) e custos com a reestruturação de dívidas (R$ 11 milhões), a companhia reduziu sua dívida líquida em R$ 42 milhões.

Em suma, a alavancagem caiu para 1,8x o EBITDA dos últimos 12 meses, dando início a um novo ciclo de geração positiva de caixa e redução de endividamento, segundo Salvador. No trimestre anterior, a empresa já havia cortado R$ 35 milhões da dívida líquida, confirmando a tendência de desalavancagem gradual.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.