Perto do fim

Trump longe do caos: acordo bipartidário avança e pode encerrar maior shutdown da história dos EUA

O Senado americano aprovou um plano para financiar o governo até janeiro, após 40 dias de paralisação e forte pressão sobre Donald Trump e os democratas.

Foto/Reprodução: Donald Trump
Foto/Reprodução: Donald Trump
  • Acordo inclui reversão de demissões, salários retroativos e financiamento até janeiro de 2026.
  • Senado dos EUA aprova acordo bipartidário para encerrar o shutdown mais longo da história.
  • Trump afirma que o governo está “bem próximo do fim da paralisação” e promete estabilidade.

Após 40 dias de paralisação, o Senado dos Estados Unidos deu um passo decisivo para encerrar o mais longo shutdown da história. Oito senadores democratas centristas fecharam acordo com o Partido Republicano para aprovar um plano temporário de financiamento até 30 de janeiro de 2026.

A tensa negociação busca equilibrar as demandas de Trump, que exige austeridade, e dos democratas, que querem ampliar os subsídios da Affordable Care Act. O acordo inclui ainda reversão de demissões em massa e pagamento retroativo de salários a servidores afetados pela paralisação.

Trump vê “fim próximo” da paralisação

O presidente Donald Trump afirmou na noite de domingo (9) que a crise está bem próxima do fim. Segundo ele, o Senado alcançou consenso suficiente para restaurar o funcionamento das agências federais e evitar novas demissões.

O projeto, aprovado com apoio bipartidário, financia o governo até o fim de janeiro e prevê a retomada de programas sociais paralisados, como o auxílio alimentação. Trump destacou que “há membros suficientes na bancada democrata para aprovar o plano”, sinalizando otimismo com a votação final.

Desse modo, fontes da Casa Branca afirmam que o acordo garante proteção contra novas suspensões de funcionários, evitando novo desgaste político para o presidente.

Centristas democratas desafiam a própria base

O avanço do acordo foi possível graças à bancada de oito democratas moderados, que contrariou parte do partido ao negociar diretamente com os republicanos. O grupo condicionou o voto à promessa de pautar, nas próximas semanas, uma votação sobre os subsídios de saúde.

Além disso, essa ala defende que a retomada do governo é prioridade, mesmo que o debate sobre o Affordable Care Act ocorra separadamente. A estratégia, no entanto, gerou forte reação da ala progressista, que acusa os centristas de “ceder demais” a Trump.

Portanto, apesar da resistência, líderes republicanos no Senado afirmam que a aprovação deve ocorrer até meados de dezembro, abrindo espaço para um acordo definitivo sobre o orçamento de 2026.

O que está em jogo agora

Se o texto for aprovado também na Câmara, o presidente Mike Johnson precisará controlar a ala radical do Partido Republicano, que resiste a novas concessões orçamentárias. Sem esse equilíbrio, o Congresso pode enfrentar outro impasse já em janeiro, quando a medida provisória expira.

Ademais, o acordo prevê US$ 852 milhões para a Polícia do Capitólio, US$ 203,5 milhões em segurança legislativa e recursos para Agricultura e veteranos. A Casa Branca também se comprometeu a reverter as demissões federais e evitar novas paralisações no restante do ano fiscal.

Por fim, Trump, por sua vez, tenta transformar o fim do shutdown em capital político antes da nova corrida presidencial. “Depois de seis semanas, finalmente conseguiremos resolver”, disse o presidente ao retornar à Casa Branca.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.