
- Processo encerra ciclo de duas recuperações judiciais e mais de R$ 15 bilhões em dívidas.
- Justiça decreta falência da Oi (OIBR3; OIBR4) e determina liquidação ordenada dos ativos.
- Papéis caem mais de 35% na B3 após divulgação da decisão judicial.
As ações da Oi (OIBR3; OIBR4) entraram em colapso nesta segunda-feira (10), após a Justiça do Rio de Janeiro decretar a falência da companhia, encerrando uma trajetória de quase uma década sob recuperação judicial. O mercado reagiu de forma imediata à decisão, com forte liquidação dos papéis e nova onda de incerteza sobre o futuro da empresa.
Às 14h30 (horário de Brasília) da última segunda-feira (10), OIBR4 despencava 35,41%, cotada a R$ 3,01, enquanto OIBR3 recuava 35,71%, a R$ 0,18, ambas em leilão na B3 após disparada de ordens de venda.
Justiça decreta falência e ordena liquidação
A sentença foi proferida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que determinou a convolação da recuperação judicial em falência, afirmando que “a Oi é tecnicamente falida”.
O despacho define a liquidação ordenada dos ativos da companhia. Além disso, visa maximizar o valor aos credores e assegurar temporariamente os serviços de telefonia e internet.
Por determinação judicial, a administração provisória ficará sob o comando do escritório Preserva-Ação, interventor nomeado após o afastamento da diretoria e do conselho da Oi. Os escritórios Wald e K2, que também atuavam no processo, foram dispensados de suas funções.
Fim de uma era: Oi não resistiu à segunda recuperação judicial
A falência ocorre após a empresa e o interventor reconhecerem a insolvência dos negócios e a incapacidade de cumprir o plano de recuperação vigente. Logo, segundo o processo, a companhia acumulava mais de R$ 15 bilhões em dívidas, dentro e fora do plano judicial.
A magistrada destacou que, apesar de tentativas de renegociação e pedidos de aditamento, não havia “mínima possibilidade de equacionamento entre o ativo e o passivo”. Além disso, a Oi também tentou abrir novo processo de recuperação nos Estados Unidos, sem sucesso.
Portanto, a operadora, que chegou a ser a maior empresa de telecomunicações do Brasil, entrou em sua primeira recuperação judicial em 2016, com uma dívida de R$ 65 bilhões, o maior processo da história do país à época.
Queda nas ações e futuro incerto para investidores
O colapso da Oi marca o encerramento de um ciclo de tentativas frustradas de reestruturação e levanta dúvidas sobre o destino dos ativos ainda operacionais da companhia.
Sendo assim, o mercado vê o caso como um divisor de águas para o setor de telecomunicações, que enfrenta forte concentração e desafios de rentabilidade.
Ademais, analistas apontam que o impacto sobre os acionistas minoritários de OIBR3 e OIBR4 é praticamente irreversível, dada a prioridade dos credores na ordem de liquidação.
Por fim, a Justiça determinou a convocação dos credores para assembleia. O objetivo é eleger um comitê que acompanhará a liquidação dos bens da empresa.