Fim do impasse?

Braskem (BRKM5) paga R$ 1,2 bi a Alagoas e destrava venda para IG4 Capital

Acordo histórico encerra impasse sobre tragédia ambiental em Maceió e abre caminho para a venda da Braskem (BRKM5) à IG4 Capital, após anos de incertezas no mercado.

Braskem (BRKM5) paga R$ 1,2 bi a Alagoas e destrava venda para IG4 Capital
  • Empresa foca em resiliência financeira e redução de dívidas, com melhora operacional no 3T25.
  • Braskem (BRKM5) pagará R$ 1,2 bilhão a Alagoas em 10 anos por danos em Maceió.
  • Acordo remove entrave histórico e acelera venda para a IG4 Capital.

A Braskem (BRKM5) deu um passo decisivo para encerrar uma das maiores crises da sua história. A petroquímica assinou um acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, em dez parcelas anuais a partir de 2030, como compensação pelos danos causados pelo afundamento de cinco bairros de Maceió em 2018.

O desfecho elimina o principal entrave que travava as negociações de venda da companhia, que pertence à Novonor (ex-Odebrecht) e à Petrobras (PETR4). O acerto, segundo fontes do setor, “arruma a casa” e desbloqueia o avanço das tratativas com a IG4 Capital, atual favorita na disputa pelo controle.

Acordo encerra impasse e reacende apetite do mercado

O pagamento previsto cobre “todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial”, encerrando a ação movida pelo governo alagoano. Ao todo, a Braskem já provisionou R$ 18,1 bilhões, sendo R$ 13,6 bilhões pagos até o momento.

Fontes do mercado afirmam que a indefinição sobre a tragédia ambiental era o principal obstáculo para novos investidores, afastando interessados desde 2019. Agora, com o tema resolvido, as negociações entre a Novonor e a IG4 Capital voltaram a ganhar tração.

O acordo também reacendeu o interesse de bancos credores, como Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES, que receberam ações da Braskem em garantia. A expectativa é que o documento final seja enviado ao Cade nos próximos dias.

Reestruturação financeira e foco em resiliência

Durante teleconferência de resultados, o CFO Felipe Jens reforçou que as tratativas com a IG4 não envolvem a administração da Braskem diretamente. “Somos informados apenas por escrito sobre o progresso das conversas”, afirmou.

Enquanto isso, a empresa mantém o foco em seu programa de resiliência, voltado à geração de caixa e corte de despesas. Além disso, em setembro, a Braskem contratou um assessor financeiro para estudar alternativas de reorganização de capital, mas ainda não há decisão final sobre a nova estrutura.

Portanto, a companhia fechou o 3T25 com dívida líquida de US$ 7,1 bilhões, alta de US$ 309 milhões no trimestre. O prejuízo caiu para R$ 26 milhões, ante R$ 592 milhões no mesmo período de 2024, mostrando sinais de estabilização operacional.

Venda de ativos segue no radar, mas sem definições

Questionado sobre rumores de venda de ativos nos EUA, Jens negou negociações em curso. Ele ressaltou, porém, que toda decisão de monetização será guiada por geração de valor aos acionistas.

Os possíveis desinvestimentos, como unidades de polipropileno no Texas, Pensilvânia e West Virginia, podem integrar o pacote de reorganização financeira da companhia. Ademais, analistas avaliam que essas medidas ajudam a fortalecer o caixa e aumentar a atratividade da Braskem para novos controladores.

Por fim, com o acordo de Alagoas assinado e a estrutura de capital em revisão, o mercado vê a IG4 Capital mais próxima de assumir o comando, marcando o início de uma nova fase para a petroquímica.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.