
- Investidores estrangeiros voltam a apostar na recuperação da companhia.
- Viveo (VVEO3) melhora margens e reduz dívida após fase difícil.
- Gestão foca em rentabilidade, renegociando contratos e cortando operações ruins.
Depois de um ciclo intenso de aquisições, a Viveo (VVEO3) entrou em turbulência. A distribuidora de materiais hospitalares e medicamentos, controlada pela família Bueno, enfrentou dificuldades para integrar as empresas compradas e viu seu EBITDA desabar.
Agora, a empresa inicia uma nova fase. Os números do terceiro trimestre mostram melhora de margens, geração de caixa positiva e redução gradual da dívida. O movimento começa a restaurar a credibilidade da gestão e reacende o interesse de investidores.
Recuperação consistente
A Viveo reportou sua melhor margem bruta em dois anos, saltando de 13,2% para 14,7%. As despesas operacionais subiram apenas 1,8%, abaixo da inflação, o que reforçou o controle de custos e ampliou a margem EBITDA para 6,1%.

Sendo assim, a companhia também gerou R$ 167 milhões em caixa livre e reduziu o endividamento em cerca de R$ 50 milhões. Com isso, a alavancagem caiu para 4,17x, sinalizando um avanço real.
Desse modo, segundo o CEO Leonardo Byrro, o quarto trimestre deve vir ainda mais forte. “Outubro foi excelente, com retomada das vendas e margens melhores. A operação voltou a crescer com rentabilidade”, disse.
Foco na rentabilidade
Para corrigir erros passados, a Viveo decidiu priorizar lucro em vez de crescimento acelerado. Nesse sentido, a empresa renegociou contratos com margens baixas, reduziu prazos de recebimento e saiu de negócios pouco rentáveis, como o de fraldas descartáveis.
“Alguns clientes aceitaram as novas condições; outros diminuíram o volume”, afirmou Byrro. “Mesmo assim, perdemos menos vendas do que esperávamos, já que concorrentes também ajustaram seus preços.”
Embora o faturamento tenha caído 8% no trimestre, a margem e o caixa melhoraram. Portanto, com mais disciplina, a companhia busca retorno sobre o capital e estabilidade operacional.
Mercado começa a reagir
Apesar do progresso, a ação VVEO3 ainda acumula queda de 32% no ano e 42% em 12 meses, refletindo a cautela do mercado.
Por outro lado, essa desvalorização atraiu novos investidores. Ademais, a gestora americana Perea Capital, de Houston, comprou 10% da Viveo e acredita que o pior já passou. “A empresa de hoje ainda parece alavancada, mas o futuro será diferente”, afirmou o fundador Omar Musa.
Por fim, com DNA Capital, Dynamo e GIC no capital, a estrutura acionária segue sólida. Musa resume a visão otimista: “A gestão está focada no turnaround, e os resultados começam a comprovar isso.”