
- 81% discordam da fala de Lula sobre traficantes serem “vítimas dos usuários”.
- Aprovação de Lula cai de 48% para 47%, com desaprovação em 50%.
- Violência supera economia como maior preocupação nacional.
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou pela primeira vez desde maio, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (12). O levantamento mostra que 47% aprovam o governo, contra 48% em outubro, enquanto a desaprovação subiu para 50%.
A queda ocorre em meio à forte repercussão da operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e ao desgaste gerado por declarações do presidente sobre segurança pública, tema que se tornou o principal foco de preocupação dos brasileiros.
Segurança toma o lugar da economia
A pesquisa aponta que a violência superou a economia como a maior preocupação nacional: 38% dos entrevistados citaram o tema, ante 30% no mês anterior. A operação no Rio é vista de forma positiva por 67% dos brasileiros, que também afirmam não ter havido exagero no uso da força.
As falas de Lula sobre o tema, no entanto, colidiram com o sentimento popular. Depois que o presidente afirmou que “traficantes são vítimas dos usuários”, 81% discordaram da frase, incluindo 66% dos eleitores lulistas.
Na avaliação sobre segurança pública, 36% consideram o governo regular, 34% negativo e 26% positivo.
Punições mais duras ganham apoio
Entre as medidas para reduzir a criminalidade, 73% defendem classificar facções como terroristas, e 88% apoiam o aumento das penas para homicídios ligados ao crime organizado.
Além disso, 65% aprovam o fim da visita íntima a presos de facções. A PEC da Segurança, proposta que endurece a legislação, tem 60% de aprovação.
A pesquisa indica que 46% acreditam que o caminho para conter a violência é endurecer as leis, enquanto 27% defendem medidas sociais e educacionais. O acesso mais fácil a armas de fogo é rejeitado por 70%.
Governadores ganham destaque e Lula divide cenário político
O consórcio de governadores contra o crime divide opiniões: 47% veem como movimento político, e 46% acreditam que pode reduzir a violência.
Entre os líderes mais bem avaliados, Claudio Castro (RJ) aparece com 24%, seguido de Tarcísio de Freitas (SP), com 13%, e Ronaldo Caiado (GO), com 11%.
Na cena internacional, o encontro entre Lula e Donald Trump também repercutiu: 45% disseram que o brasileiro saiu fortalecido, enquanto 30% viram o oposto.
Economia perde protagonismo, mas segue frágil
Mesmo com a segurança pública dominando o debate, a economia continua sendo um desafio para o governo. 58% dos entrevistados afirmam que os preços dos alimentos subiram, e metade considera que está mais difícil conseguir emprego.
Além disso, 58% avaliam que o país segue na direção errada, número que era de 50% em janeiro.
O levantamento foi realizado entre 6 e 9 de novembro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o Brasil e margem de erro de dois pontos percentuais.