
- Ethereum segue favorito das gestoras, com foco em ETFs e tokenização
- Bitcoin cai 12,7%, mas mantém liderança e pode reagir com alívio macroeconômico
- Hyperliquid e Jupiter são as únicas com retorno positivo no período
Outubro foi um dos meses mais turbulentos da história recente das criptomoedas, com o Bitcoin (BTC) caindo de US$ 120 mil para US$ 102 mil em menos de 24 horas após as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos chineses. Apesar disso, o fim do mês trouxe algum alívio: o corte de juros nos Estados Unidos e o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que resultou na redução parcial das tarifas sobre produtos chineses.
Mesmo com a melhora, o BTC não recuperou o valor perdido e segue pressionado. Porém, analistas afirmam que há sinais de retomada e um ambiente mais favorável para o risco. Segundo André Franco, CEO da Boost Research, novembro pode marcar o início de uma recuperação se o cenário geopolítico e monetário continuar positivo.
Bitcoin (BTC): ainda o pilar do mercado
“O Bitcoin deve ser novamente o ativo mais resiliente e estratégico do mês”, diz Franco. O especialista avalia que o ativo está em região técnica favorável para retomada, após uma correção expressiva.
Com o arrefecimento das tensões comerciais e uma Fed menos agressiva, o BTC tende a liderar a volta do apetite por risco, puxando outras altcoins.
Mesmo assim, o ativo acumula queda de 12,7% em 30 dias, segundo dados compilados por nove instituições, incluindo Foxbit, Empiricus, Hurst Capital e Mercado Bitcoin.
Desse modo, a dominância do Bitcoin no mercado cripto caiu para 49%, o menor nível desde abril.
Ethereum (ETH): atenção institucional em alta
“O Ethereum (ETH) continua chamando atenção de investidores institucionais”, diz Valter Rebelo, head de cripto da Empiricus.
Ele destaca o avanço dos ETFs spot, o aumento da tokenização e a queda no saldo de ETH nas corretoras, sinal de acúmulo por grandes players.
O ETH, no entanto, ainda sente os efeitos da liquidação de outubro, com queda de 18,3% no período.
Mesmo assim, especialistas apontam que novas atualizações técnicas e a expansão do ecossistema de stablecoins podem impulsionar o preço ao longo de novembro.
Solana (SOL) e o poder dos ecossistemas
Após um desempenho sólido em outubro, a Solana (SOL) entra em novembro “com o ecossistema mais aquecido”, segundo Marcelo Person, diretor da Foxbit.
O crescimento de aplicações em games, redes sociais cripto e pagamentos, além da expectativa de um ETF próprio, fortalece o otimismo com o ativo.
Mesmo com recuo de 11,45% em 30 dias, a SOL mantém forte tração entre desenvolvedores e é apontada como a principal concorrente do Ethereum no médio prazo.
As surpresas do mês: Hyperliquid, XRP e Jupiter
A Hyperliquid surpreende como o único token com retorno positivo de 3,19% no mês, consolidando-se como uma das principais plataformas de derivativos on-chain, de acordo com Francis Wagner, da Hurst Capital.
A capitalização de mercado já ultrapassa US$ 14 bilhões, e o crescimento institucional impulsiona a demanda.
Entre as veteranas, XRP tenta se reerguer. Segundo Julián Colombo, diretor da Bitso, a altcoin se estabiliza perto de US$ 3 e pode chegar a US$ 7 “se os fluxos institucionais voltarem”.
Já a Jupiter (JUP) brilha ao fechar o mês com alta de 9,41%, impulsionada por integrações institucionais e grande volume na rede Solana.