Empreendedorismo

Bebida mineira explode nas vendas e desafia gigantes com 9 milhões de litros

Com envase terceirizado, parceria com a Ambev e novas linhas de produtos, a Xeque Mate vive o melhor momento de sua história e já pensa em internacionalização.

Bebida mineira explode nas vendas e desafia gigantes com 9 milhões de litros
  • Mascate Drinks marca a estreia da empresa em bebidas prontas premium
  • Xeque Mate cresce 26% em 2025, alcançando 9 milhões de litros produzidos
  • Parcerias com Ambev e novos canais ampliam a presença nacional da marca

A Xeque Mate, famosa bebida mineira feita de mate, rum, guaraná e limão, registrou em 2025 o maior volume de produção da sua história, alcançando 9 milhões de litros. O número representa um crescimento de 26% sobre 2024, e consolida a marca como uma das maiores produtoras independentes do país.

Fundada em 2015, a empresa alcançou o resultado com uma estratégia focada em parcerias logísticas e industriais. Segundo o sócio-fundador Gabriel Rochael, a terceirização do envase e a expansão da distribuição nacional foram decisivas para o salto. “Hoje estamos em todo o Brasil, com força especialmente no Sudeste. São Paulo já ultrapassou Minas Gerais no consumo”, diz.

Expansão nacional e novos desafios

Rochael explica que o crescimento foi impulsionado por ajustes fiscais entre estados e uma gestão mais eficiente. “Crescemos de maneira orgânica, com capital próprio. Só conseguimos atender melhor o país depois que as questões tributárias se regularizaram”, afirma.

Para manter o ritmo, a Xeque Mate firmou parcerias estratégicas com distribuidores, incluindo a Ambev, o que permitiu maior capilaridade no varejo.

Mesmo com o avanço, a marca não divulga o faturamento exato, mas desmentiu estimativas de R$ 200 milhões divulgadas por veículos. “Esse valor não condiz com a realidade”, reforça Rochael.

O executivo acredita que o senso de comunidade criado ao redor da marca é um dos pilares da expansão. Além das bebidas, o grupo mantém bares próprios, a produtora Xeque Mate Estúdios e o Lab Xeque Mate, focado em moda e cultura urbana.

Autenticidade como escudo contra cópias

Diante do sucesso, surgiram tentativas de imitar o produto. Rochael garante que a qualidade dos ingredientes é o principal diferencial.

“Nosso mate vem do melhor fornecedor do Brasil, tipo exportação. O guaraná é exclusivo, o limão é puro extrato, e o rum tem acompanhamento integral de produção”, explica.

Ele lembra que a empresa registrou marca e patente, mas acredita que o segredo está no processo artesanal. “Não é só a fórmula. São proporções e técnicas que não se copiam facilmente.”

A marca, nascida na cena cultural de Belo Horizonte, mantém o foco em autenticidade e proximidade com o público jovem, o que a transformou em símbolo de uma geração de empreendedores criativos.

Resiliência em meio à crise do metanol

Enquanto o setor de bebidas sofreu com a crise do metanol, que reduziu as vendas em bares e restaurantes, o Xeque Mate resistiu.

Segundo empresários, o produto ganhou espaço nos estabelecimentos por sua embalagem em lata exclusiva, difícil de falsificar, e por oferecer margem superior à da cerveja.

Rochael confirma que não houve alta fora do padrão nas encomendas, mas ressalta o desempenho estável. “O Xeque Mate é um drink, mas o consumo se comporta como o da cerveja. O cliente repete, e o comerciante lucra mais”, diz.

A empresa planeja manter a produção mínima de 3,4 milhões de litros até o Carnaval de 2026, reforçando o protagonismo da marca entre as bebidas prontas.

Mascate Drinks: a nova aposta da Xeque Mate

Em novembro, a empresa lançou a Mascate Drinks, linha de bebidas prontas em lata com sabores como melancia com framboesa e maracujá com caju. A produção inicial é de 1,04 milhão de litros, com possibilidade de ampliação em janeiro.


Mascate Drinks e Xeque Mate (Foto Divulgação)

Os produtos já estão disponíveis nos bares Mascate, supermercados, e-commerce e empórios, consolidando a Xeque Mate no segmento de ready-to-drink.

Por fim, por conta do novo projeto, a versão sem álcool da bebida, prevista para 2025, foi adiada. “Testamos o produto e tivemos excelente retorno, mas preferimos focar no crescimento das linhas alcoólicas neste momento”, conclui Rochael.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.