
- Dívida e alavancagem disparam, elevando risco e atenção dos investidores
- Azul (AZUL4) reverte lucro e registra prejuízo de R$ 644 milhões no 3T25
- Ebitda e lucro operacional batem recordes, mas custos e finanças pressionam o resultado
A Azul (AZUL4) voltou ao vermelho no 3º trimestre de 2025, registrando prejuízo líquido de R$ 644 milhões, após ter apresentado lucro no mesmo período de 2024. O resultado acende um alerta, embora a receita tenha avançado e a demanda continue aquecida.
Mesmo assim, a empresa entregou recordes operacionais, o que evidencia um trimestre contraditório: forte desempenho comercial, mas sufocado por custos crescentes e um rombo financeiro sem precedentes.
Operação cresce, mas resultado final decepciona
A companhia mostrou que sua operação continua forte. O Ebitda atingiu R$ 1,987 bilhão, um recorde histórico e alta de 20,2% no ano. Além disso, o lucro operacional avançou 23,7%, alcançando R$ 1,270 bilhão com margem de 22,1%.
Entretanto, o prejuízo líquido ajustado explodiu para R$ 1,56 bilhão, puxado pela pressão financeira e por eventos extraordinários. Isso ampliou a distância entre o desempenho comercial e o resultado contábil final.
Apesar do crescimento da receita, que chegou a R$ 5,737 bilhões (+11,8%), os custos subiram com força e reduziram a capacidade da Azul de transformar vendas em lucro.
Custos disparam e pesam no caixa
As despesas operacionais somaram R$ 4,5 bilhões (+8,9%), impactadas por inflação, aumento de processos judiciais e expansão internacional. Embora parte desses custos tenha sido compensada por maior produtividade e pela queda no preço do combustível, o alívio foi insuficiente.
Os custos por ASK (CASK) subiram 1,6%, atingindo R$ 34,85 centavos, pressionando o caixa justamente em um trimestre de maior demanda. Esse movimento ocorreu mesmo com a leve valorização do real contra o dólar.
Além disso, a ampliação de 30,5% na capacidade internacional trouxe tarifas mais altas, porém também elevou a estrutura de custos em ritmo acelerado.
Pressão financeira atinge nível crítico
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,914 bilhão, salto de 200,7% na comparação anual. A deterioração reflete juros elevados, variações cambiais e maior exposição à dívida.
A dívida líquida avançou para R$ 32,9 bilhões, alta de 34,3%, enquanto o indicador de alavancagem subiu para 5,1 vezes Ebitda ajustado, o maior nível desde o pré-pandemia. Essa combinação mantém a Azul sob forte vigilância do mercado.
Mesmo assim, a companhia encerrou o trimestre com R$ 8,8 bilhões em liquidez total, o que garante fôlego operacional e capacidade de enfrentar oscilações no curto prazo.