
- Saídas bilionárias de ETFs e incerteza sobre juros elevam a aversão ao risco
- Bitcoin afunda abaixo de US$ 95 mil e acumula queda de 20% desde outubro
- Ethereum, XRP, ADA, LINK e SOL recuam mais de 10% com liquidez menor e vendas forçadas
O Bitcoin (BTC) acelerou as perdas nesta sexta-feira (14) e mergulhou abaixo de US$ 95 mil, ampliando o movimento negativo que já derrubou o ativo em 20% desde o pico de outubro. A queda ocorre em meio à abertura fraca dos futuros de Nova York e ao retorno da aversão ao risco no exterior.
Além disso, o sentimento piorou após saídas de US$ 870 milhões nos ETFs de Bitcoin, o segundo maior volume diário desde o lançamento desses produtos. O fluxo pressiona ainda mais um mercado que opera com pouca liquidez e forte instabilidade.
Bitcoin derrete com saída de capital e liquidações
A queda do BTC ganhou intensidade depois que investidores retiraram quase US$ 1 bilhão de posições alavancadas em apenas 24 horas, conforme dados da Coinglass. Esse movimento ampliou a volatilidade e aprofundou o ajuste iniciado no dia anterior.
O Bitcoin chegou a cair 2,8% no início da manhã, com negociações em torno de US$ 94,8 mil e renovando mínimas em um mês. A forte oscilação também reflete a combinação entre piora do apetite ao risco e expectativa de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos.
Mesmo após breves tentativas de recuperação, o ambiente segue frágil. Traders continuam reduzindo exposição e priorizando ativos defensivos, o que pressiona ainda mais o desempenho das criptos líderes.
Ethereum, XRP e Cardano também derretem
O movimento baixista contaminou o restante do mercado. O Ethereum (ETH) recuou mais de 10% no mesmo período, enquanto XRP, Cardano (ADA) e Chainlink (LINK) acompanharam a queda com baixas de dois dígitos.
A Solana (SOL) ampliou o tombo e registrou perda superior a 12%, mantendo a sequência de forte volatilidade. Já a BNB também recuou, acumulando baixa próxima de 7,9% em 24 horas.
A queda sincronizada reforça a fragilidade do setor. Além disso, a diminuição da liquidez piorou o impacto de ordens grandes no mercado, ampliando oscilações e acelerando a pressão vendedora.
Aversão ao risco domina após incertezas nos EUA
O humor global segue negativo, sobretudo após traders revisarem expectativas sobre a política monetária americana. Mesmo com o fim do shutdown, o mercado mantém ceticismo sobre cortes de juros no curto prazo, o que reduz o apetite por ativos de maior risco.
A falta de novos indicadores econômicos, consequência da paralisação do governo — aumenta a incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve. A leitura predominante é de que o banco central adotará postura firme até obter dados mais claros.
Segundo a Kaiko, a profundidade de mercado caiu 30% em relação ao pico do ano, o que deixa o setor mais vulnerável a movimentos bruscos. Essa deterioração ajuda a explicar por que o ajuste recente se intensificou tão rápido.