
- Analistas projetam dividend yield 4%–6%, e a recomendação majoritária é neutra/manter.
- BBAS3 registrou lucro de R$ 3,8 bi no 3º tri, queda de 60,2%.
- Payout de 30% em 2026; dividendos extraordinários só com lucro adicional.
O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no 3º trimestre de 2025, queda de 60,2% na comparação anual. O ROE caiu para 8,4%, bem abaixo da média histórica da instituição.
Além disso, a direção revisou a projeção de lucro ajustado para 2025 para R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões. O custo de crédito e a inadimplência no agro e na pessoa física foram citados como principais pressões.
Resultado e impacto operacional
O resultado refletiu aumento de provisões e piora de indicadores de risco. A carteira PJ foi o único destaque com desempenho relativo melhor. Contudo, a recuperação plena depende da normalização da inadimplência.
A administração informou que espera melhora gradual em 2026, com efeito maior a partir do 1º trimestre. Para isso, a estratégia inclui renegociação de carteiras e foco em eficiência.
Além disso, o programa BB Regulariza Agro já analisa R$ 11,4 bilhões em dívidas e aprovou R$ 5,4 bilhões até o momento. A meta é alcançar R$ 24 bilhões em propostas.
Política de proventos e capital
O banco confirmou payout de 30% para 2026 e descartou antecipação de dividendos por mudanças tributárias. Logo, dividendos extraordinários só ocorreriam com ganhos excepcionais.
Analistas mostram expectativa de dividend yield entre 4% e 6% para os próximos 12 meses; o consenso TradeMap aponta 5,40%. Assim, o BB perde terreno frente a pares que oferecem yields maiores.
Por fim, a instituição afirmou que pretende usar juros sobre capital próprio como alternativa fiscal, se necessário. A gestão enfatizou a necessidade de preservar capital enquanto melhora a rentabilidade.
Mercado, recomendações e perspectivas
O mercado reagiu com cautela: a maioria das casas sugere posição neutra ou manter em BBAS3. Em contraste, o Itaú (ITUB4) aparece com avaliação mais favorável em dividendos e preço-alvo mais alto.
Alguns analistas defendem tese de recuperação focada em ganho de capital, não em renda passiva. Por outro lado, casas que mantêm compra ressaltam Basileia sólida e potencial de normalização operacional.
Em resumo, a visão de mercado divide-se entre quem vê oportunidade de valor no médio prazo e quem exige sinais claros de melhora nas provisões antes de recompor posições.