Tributação

Economista do BTG acende alerta e diz que isenção para CRI e CRA “não faz sentido”

Mansueto Almeida defende revisão das isenções e afirma que fluxo externo explica salto do Ibovespa em 2025.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
  • Selic deve começar a cair apenas em 2026, mantendo crédito pressionado em 2025.
  • Mansueto defende revisar isenções de CRI e CRA, consideradas inadequadas para operações curtas.
  • Fluxo estrangeiro impulsionou o Ibovespa, que passou de 158 mil pontos.

O economista-chefe do BTG Pactual afirmou que a discussão sobre a tributação de títulos isentos, como CRI e CRA, precisará avançar em 2025. Para ele, esses instrumentos perderam sentido como benefício fiscal quando usados em operações de curto prazo.

O comentário foi feito durante o Seminário Internacional Acrefi de Crédito (SIAC), em São Paulo. Embora reconheça que os ativos ajudaram a expandir o mercado de capitais, o economista considera que o atual desenho tributário criou distorções relevantes.

Debate sobre isenções e efeitos da MP 1.303

Mansueto destacou que a estrutura de incentivos exige revisão. Segundo ele, a isenção em operações curtas reduz a arrecadação sem gerar ganhos claros ao sistema. Além disso, ele lembrou que o benefício surgiu com outro propósito e que o mercado mudou rapidamente.

A MP 1.303/2025 tentou alterar esse cenário ao propor tributação de 5% para CRIs e CRAs e elevar o imposto sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP). No entanto, o Congresso rejeitou o texto e manteve a estrutura atual.

Mesmo assim, o economista acredita que o tema voltará à agenda. Isso porque o governo busca recompor receitas, enquanto o mercado avança em operações sofisticadas que escapam das regras originais. A avaliação dele é que, sem ajustes, a desigualdade tributária tende a aumentar.

Recordes do Ibovespa e impacto do fluxo externo

Durante o evento, Mansueto também avaliou o rally do Ibovespa, que superou 158 mil pontos na semana passada. Para ele, o movimento teve pouca relação com fundamentos internos, apesar da visibilidade que o índice ganhou.

O economista apontou que a política tarifária dos Estados Unidos, sob Donald Trump, assustou investidores globais. Como consequência, parte do capital migrou para emergentes, o que ampliou o fluxo para a B3. Assim, a demanda externa impulsionou os preços das ações brasileiras.

Além disso, Mansueto afirmou que os desafios fiscais do Brasil continuam os mesmos dos últimos anos. Por isso, ele considera que a valorização recente não reflete mudanças estruturais e depende, em grande parte, do humor internacional.

Juros altos, crédito pressionado e projeções para 2026

O economista avaliou que a Selic, atualmente em 15%, deve permanecer elevada ao longo de 2025. Ele projeta início do ciclo de cortes apenas em 2026, caso o cenário fiscal permita maior previsibilidade.

A manutenção de juros altos tende a restringir o crédito, especialmente nas linhas voltadas a empresas e famílias. Portanto, Mansueto avalia que investimentos produtivos devem seguir moderados enquanto o custo do dinheiro permanece elevado.

Para ele, um processo de redução consistente só virá com maior confiança nas contas públicas. Dessa forma, o Copom teria espaço para retirar o caráter contracionista da política monetária e estimular atividade de forma mais ampla.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.