
- Operação de compra deixa de existir, já que a liquidação encerra qualquer negociação.
- Fictor suspende compra do Banco Master após liquidação decretada pelo Banco Central.
- Investigação da PF e prisão de Vorcaro reforçam o colapso da instituição.
A Fictor Holding Financeira suspendeu a operação de compra do Banco Master após a decisão inesperada do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da instituição. O consórcio afirma que soube da medida apenas pela imprensa.
O grupo reforça que toda a operação dependia da aprovação dos órgãos reguladores e afirma estar à disposição para colaborar com as autoridades. A suspensão ocorre um dia depois do anúncio de um aporte de R$ 3 bilhões previsto no acordo.
Liquidação paralisa negociação imediatamente
A liquidação extrajudicial encerra todas as atividades do banco e impede a continuidade de qualquer transação em curso, inclusive a compra anunciada pela Fictor. O BC nomeou um liquidante para assumir a instituição e conduzir o processo de fechamento. A decisão elimina qualquer possibilidade de operação até que o caso seja totalmente concluído.
O Master já enfrentava risco de colapso por causa do alto custo de captação e de investimentos agressivos, como CDBs que prometiam até 40% acima da média do mercado. A prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida na segunda-feira, agravou o ambiente e aumentou a pressão sobre o banco.
Além disso, a liquidação ocorre no mesmo momento em que a Polícia Federal amplia a investigação sobre títulos de crédito falsos, acusando o banco de prometer rentabilidade muito acima do mercado sem efetuar os pagamentos. As suspeitas atingem diretamente o núcleo de gestão da instituição.
Fictor tenta blindar imagem e reforça “total transparência”
Em nota, a Fictor afirma que conduziu o processo “com total responsabilidade” e que respeita integralmente as normas legais. A empresa diz ter sido surpreendida pela liquidação e enfatiza que a proposta estava condicionada à avaliação do regulador.
Apesar da desistência, o consórcio afirma que continua disponível para prestar esclarecimentos. O grupo tenta preservar sua reputação ao enfatizar compromisso com a integridade, especialmente porque o caso ganhou grande repercussão no mercado.
A suspensão cria um vácuo no setor financeiro, já que o aporte bilionário seria a última tentativa de evitar o colapso do Master. Agora, a liquidação encerra de vez qualquer chance de reestruturação privada.
O que derrubou o Banco Master
O banco vinha acumulando problemas após apostar em operações arriscadas, compra de precatórios e produtos com rentabilidade atípica. Esses movimentos pressionaram a liquidez e comprometeram a capacidade de pagamento.
Além disso, tentativas anteriores de venda, inclusive a negociação com o BRB, fracassaram diante de questionamentos regulatórios, conflitos internos e pressões políticas. A decisão do BC coloca fim a meses de instabilidade.
Por fim, a liquidação marca o ponto final de uma crise que já chamava atenção do mercado e acende alerta sobre práticas de captação com retornos exagerados. A atuação da PF acelera o processo e abre novo capítulo na responsabilização dos envolvidos.