
- Liquidação do Master pelo BC expõe risco direto ao caixa do fundo previdenciário do RJ.
- Rioprevidência concentrou R$ 2,6 bilhões em estruturas ligadas ao Banco Master, mesmo após alertas do TCE.
- Aportes tiveram baixa rentabilidade, perdas rápidas e pouca transparência.
O Rioprevidência investiu R$ 2,6 bilhões em fundos conectados ao Banco Master, justamente nos meses que antecederam a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. O volume, considerado elevado até por técnicos do governo, ampliou o risco para os 235 mil aposentados e pensionistas do estado.
O TCE-RJ já havia alertado para irregularidades nos aportes e determinou medidas emergenciais, mas o fundo seguiu com os investimentos, mesmo após apontamentos sobre falta de transparência, baixa rentabilidade e exposição concentrada.
TCE alertou sobre risco aos aposentados
Em maio, o Tribunal identificou falhas graves na gestão dos recursos e pediu explicações. Depois, reforçou a preocupação ao observar aportes “sem vantajosidade”, além de movimentações aceleradas e pouco justificadas. Entretanto, os gestores do Rioprevidência mantiveram a estratégia, enquanto o risco aumentava.
Em outubro, o TCE determinou uma tutela provisória para impedir novos aportes ligados ao Master. Na ocasião, o conselheiro José Gomes Graciosa afirmou que era preciso “parar decisões sem transparência” que colocavam em risco carreira e renda de milhares de servidores. A crítica refletiu o clima de instabilidade crescente no fundo.
Mesmo com o alerta, dados do próprio Tribunal mostram que 25% dos recursos aplicados pelo Rioprevidência estavam expostos a estruturas do Master até julho, reforçando a tese de gestão temerária. Essa concentração tornou-se um dos principais pontos de preocupação para os auditores.
Investimentos concentrados apresentaram baixa rentabilidade
Um dos casos mais citados foi o aporte superior a R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado por empresa do conglomerado. O Rioprevidência foi o único cotista. Além disso, a rentabilidade média de 4,05% ficou abaixo da poupança e muito distante do CDI, evidenciando baixa eficiência.
Além disso, os técnicos também encontraram aplicações de mais de R$ 300 milhões em letras financeiras sem informações claras, o que elevou a percepção de risco. Em outro episódio, um investimento de R$ 100 milhões perdeu R$ 25 milhões em um mês, mostrando volatilidade incompatível com um fundo previdenciário público.
No fim, o Tribunal apontou que os dados demonstram uma gestão possivelmente irresponsável, que utilizou recursos descontados em folha para aplicações que não respeitavam segurança, transparência e prudência, pilares básicos do setor previdenciário.
BC liquida o Master e aumenta pressão sobre o fundo
Nesta terça (18), o Banco Central decretou a liquidação do conglomerado Master e instaurou um regime de administração especial temporária por 120 dias. Assim, a medida foi tomada horas após a prisão de Daniel Vorcaro, presidente do banco, que tentava deixar o país.
Ademais, segundo o BC, os dados indicavam deterioração financeira severa e incapacidade de honrar compromissos. A liquidação paralisou todas as operações e ampliou a pressão sobre órgãos de controle, que agora avaliam o impacto do rombo no patrimônio do Rioprevidência.
Em nota, o fundo insistiu que apenas R$ 960 milhões estavam alocados diretamente em Letras Financeiras do Master, e que a operação seguia “adimplente”. Contudo, as análises do TCE apontam valores muito superiores quando considerados os fundos administrados pelo grupo.