Compensando perdas

Oncoclínicas (ONCO3) reage à crise do Master e tenta assumir fatia bilionária para reduzir prejuízo

Companhia busca controle da participação usada como garantia após liquidação do banco.

oncoclinicas
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  • Queda de 13,53% em ONCO3 reduziu o valor da fatia do banco para R$ 177 milhões.
  • Oncoclínicas (ONCO3) tenta assumir a participação do Banco Master para compensar perdas de CDBs.
  • Liquidação do Master antecipou vencimento de R$ 433 milhões investidos pela companhia.

A Oncoclínicas (ONCO3) iniciou uma ofensiva para assumir a participação do Banco Master na companhia, após a liquidação extrajudicial da instituição financeira decretada pelo Banco Central. A medida visa compensar parte das perdas provocadas pelo colapso do banco, que também levou à prisão do controlado Daniel Vorcaro.

A fatia do Master funcionava como garantia de repactuação dos valores investidos em CDBs, que somavam R$ 433 milhões. Com o vencimento antecipado desses títulos nesta terça-feira, a Oncoclínicas busca exercer o direito contratual de compra da participação.

Participação do Master pode compensar perdas relevantes

O instrumento de repactuação incluía a opção de assumir cotas de FIPs detentores das ações da empresa. Assim, a Oncoclínicas tenta converter a garantia em participação acionária para mitigar o prejuízo contábil reconhecido no fim de setembro.

Além disso, a empresa informou que estimou uma perda de R$ 217 milhões sobre o valor aplicado no banco. O restante, cerca de R$ 216 milhões, seria próximo ao valor da fatia de 14,95% detida pelo Master antes da forte queda recente.

No entanto, o tombo de 13,53% nas ações ONCO3 nesta terça-feira reduziu o valor da participação para R$ 177 milhões, criando um descompasso entre a garantia prevista e o valor de mercado atual.

Liquidação do Master antecipa dívida e acelera movimentações

A liquidação extrajudicial decretada pelo BC antecipou o vencimento dos R$ 433 milhões remanescentes dos CDBs. A companhia havia firmado acordo para recuperar o valor em parcelas até 2027, mas o colapso do banco interrompeu imediatamente o cronograma.

Por conta do risco crescente, agências de rating já haviam rebaixado a nota de crédito do Master, o que levou a Oncoclínicas a antecipar provisões e ajustar seu balanço. Dessa forma, a empresa reforçou a necessidade de recorrer às garantias previstas no contrato.

Com a confirmação da liquidação, a administração afirmou que adotará “todas as medidas cabíveis” para exercer a opção de compra sobre as cotas dos FIPs ligados ao banco.

Desvalorização pressiona companhia e altera valor da garantia

A queda expressiva de ONCO3 intensificou o impacto financeiro da crise do Master. Com a desvalorização, o valor de mercado da Oncoclínicas recuou para R$ 1,18 bilhão, contra R$ 1,28 bilhão no pregão anterior.

Ainda assim, a empresa destaca que a garantia contratual permite buscar a fatia do banco, estimada em R$ 203 milhões com base na cotação anterior. Entretanto, o recuo das ações criou um novo cenário, reduzindo o valor potencial de recuperação.

Mesmo sob pressão, a companhia afirma que seguirá os termos do contrato e acionará todos os mecanismos legais para tentar compensar parte das perdas e estabilizar sua posição financeira.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.