
- Bancos, VALE3 e PETR4 puxaram o índice para baixo, enquanto HAPV3 e BRKM5 destoaram.
- Ibovespa caiu 0,73%, marcando a terceira queda seguida em clima pré-feriado.
- Balanço da Nvidia e payroll ampliaram a aversão ao risco com a B3 fechada nesta quinta.
O Ibovespa encerrou esta quarta-feira com a terceira queda consecutiva, repetindo um movimento que não ocorria havia um mês e meio. O índice caiu 0,73%, aos 155.380 pontos, refletindo a aversão ao risco que se instalou no pregão pré-feriado. No câmbio, o dólar voltou a subir e fechou em R$ 5,338, enquanto os juros futuros recuaram em toda a curva.
A combinação entre agenda carregada no exterior e bolsa fechada no feriado deixou investidores mais cautelosos. Além disso, os agentes financeiros monitoraram a pressão sobre os grandes bancos, após a liquidação do banco Master, e a realização de lucros em pesos pesados como VALE3 e PETR4.
Mercado trava antes da Nvidia e payroll
Os investidores brasileiros preferiram reduzir exposição diante de dois eventos decisivos para os mercados globais: o balanço da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, e os números atrasados do payroll nos Estados Unidos. Ambos saem nesta quinta-feira, quando a B3 estará fechada, o que reforçou o movimento de proteção.
A leitura predominante foi simples: “melhor esperar do que ser pego de surpresa”. A expectativa sobre o desempenho da Nvidia domina o sentimento, já que o setor de tecnologia e IA sofre com forte correção nas últimas semanas. Nos EUA, gestores apontam que o resultado da companhia pode ditar o rumo imediato dos mercados.
Além disso, o payroll retorna após o fim da paralisação do governo americano e deve influenciar diretamente a postura do Federal Reserve. Com isso, o cenário reforçou a busca por segurança e pressionou ativos de risco no Brasil.
Fed reforça incerteza e Europa fecha mista
Mesmo em Nova York o pregão começou travado, com índices oscilando pouco enquanto investidores aguardavam a divulgação da ata do Fed. O documento, porém, trouxe mais dúvidas do que respostas. Segundo analistas, os membros do comitê veem risco maior de enfraquecimento econômico do que de aceleração da inflação.
A leitura reforçou a ideia de que o Fed está próximo da taxa neutra, o que reduz a probabilidade de corte de juros já em dezembro. Apesar disso, a combinação entre inflação que não cai e mercado de trabalho ainda resiliente mantém elevada a incerteza sobre os próximos passos.
Na Europa, o clima foi ainda mais cauteloso, já que as Bolsas fecharam antes da ata americana. O resultado foi um encerramento misto, consolidando o ambiente de espera que dominou esta véspera de feriado no Brasil.
Bancos sofrem com caso Master; VALE3 e PETR4 pesam
O setor bancário voltou a ser um dos destaques negativos do pregão. O impacto potencial da liquidação do banco Master, que pode custar R$ 49 bilhões ao FGC, manteve os investidores em alerta. Assim, BBAS3, BBDC4, ITUB4 e SANB11 fecharam novamente em queda, repercutindo revisões de analistas após os balanços do 3T25.
Entre as gigantes, a VALE3 caiu 0,11%, mesmo com o minério de ferro em alta na China e a empresa precificando US$ 750 milhões em títulos subordinados. Já a PETR4 recuou 0,52%, acompanhando o petróleo internacional em baixa com expectativas de avanço em negociações ligadas à guerra na Ucrânia.
Outras ações relevantes também sentiram a cautela. A PRIO3 perdeu 1,57%, enquanto ASAI3 recuou 3,05% após detalhar iniciativas estratégicas em seu Dia do Investidor. Na contramão, HAPV3 subiu 2%, e BRKM5 avançou 0,63% com rumores de novo acionista e subsídios.