
- Modelo baseado em ativos ilíquidos e captação agressiva já mostrava fragilidade
- BC recebeu alertas sobre os riscos do Master, mas a situação evoluiu até a liquidação
- Custo ao FGC pode alcançar R$ 55 bilhões e exigir reforço dos grandes bancos
O Banco Central recebeu repetidos avisos sobre o avanço acelerado e pouco transparente do Banco Master, segundo executivos do setor financeiro. O crescimento incomum gerou preocupação imediata, especialmente pela dependência de captação garantida pelo FGC.
Ao longo dos últimos anos, banqueiros e representantes do fundo levaram alertas diretamente à cúpula da autarquia. Mesmo com as sinalizações, o caso evoluiu até a liquidação da instituição, que agora se tornou um dos maiores custos da história para o sistema garantidor.
Alerta ignorado coloca pressão inédita no FGC
O FGC enviou diversas comunicações para destacar riscos operacionais e a baixa clareza dos ativos do Master. Executivos de grandes bancos reforçaram o alerta e pressionaram por respostas. Apesar disso, o problema avançou até gerar uma conta de R$ 41 bilhões para proteger 1,6 milhão de investidores.
O custo pode chegar a R$ 55 bilhões caso outras instituições menores ligadas ao caso também sofram liquidação. Mesmo assim, o fundo mantém R$ 160 bilhões em ativos e R$ 122 bilhões em caixa, o que oferece fôlego para o curto prazo.
Além disso, o FGC já prepara uma recapitalização antecipada bancada pelos maiores bancos do país. O processo deve se arrastar por anos e criar nova pressão sobre o sistema financeiro.
Modelo do Master já dava sinais de fragilidade
O Master cresceu rápido após a aquisição por Daniel Vorcaro em 2017, mas concentrou grande parte de seus ativos em fundos de crédito e fundos de participação, que representam 69% dos ativos líquidos. Essa estrutura elevou o risco e gerou dúvidas entre bancos e reguladores.
Em 2023, uma mudança de regra no FGC reduziu o espaço para operações essenciais ao modelo do Master, provocando um choque direto na estratégia da instituição. Paralelamente, investigações sobre suposta fabricação de instrumentos de crédito aumentaram a pressão.
Com a piora do cenário, a Polícia Federal abriu inquéritos, e a confiança dos investidores desabou. As apurações avançaram até a prisão de Vorcaro, o que acelerou o colapso do conglomerado.
Tentativa de resgate pelo BRB criou novo foco de tensão
O BRB tentou comprar o Master no início do ano, mas o mercado enxergou a transação como um resgate estatal arriscado. Críticas se multiplicaram, e o Banco Central vetou o negócio meses depois, ampliando o impacto da crise.
O BRB comunicou o regulador assim que identificou problemas nas carteiras recebidas do Master. Após a intervenção do BC, a instituição suspendeu todas as operações envolvendo o banco em dificuldade.
Agora, com a liquidação em andamento, o novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, precisa conduzir o processo e administrar os efeitos do maior rombo enfrentado pelo sistema garantidor brasileiro.