Sinal de alerta

Fuga bilionária? Estimativa do Itaú acende alerta no câmbio e pressiona o dólar

Banco prevê saída de até US$ 35 bilhões em dezembro com antecipação de dividendos antes da nova taxação.

Crédito: Depositphotos
Crédito: Depositphotos
  • Projeção do dólar sobe para R$ 5,35 (2024) e R$ 5,50 (2026).
  • Itaú prevê saída de até US$ 35 bi em dezembro por antecipação de dividendos.
  • Banco Central pode reagir caso a volatilidade do câmbio aumente.

O Itaú acendeu um sinal de alerta no mercado ao projetar uma saída extraordinária de até US$ 35 bilhões do Brasil no fim de dezembro. O movimento deve ocorrer por causa da corrida das empresas para antecipar dividendos e evitar a nova tributação prevista para 2026.

Segundo o economista-chefe Mário Mesquita, esse fluxo atípico já influencia o câmbio e pode provocar uma reação mais firme do Banco Central, caso a pressão sobre o real continue nas próximas semanas.

Fluxo intenso pressiona o real

A projeção do Itaú indica que o volume de remessas será um dos maiores já registrados em um único mês, sobretudo porque grandes companhias buscam garantir eficiência fiscal antes das mudanças tributárias. Além disso, a transferência concentrada em dezembro reduz o apetite por posições mais otimistas no real.

Mesquita avalia que o impacto imediato no mercado de câmbio tende a aumentar a volatilidade, enquanto investidores buscam proteção em dólar. Portanto, a tendência é de maior cautela entre gestores, que já ajustam portfólios para um cenário de saída líquida relevante.

O banco reforça que o fluxo negativo também limita qualquer espaço para valorização rápida do real, mesmo com melhora externa. Assim, o impacto sobre a moeda brasileira deve continuar visível até o início de 2026.

Pressão pode forçar reação do Banco Central

O comportamento do câmbio nas próximas semanas pode exigir alguma atuação do Banco Central, segundo o Itaú. Caso a volatilidade se intensifique, a autoridade monetária pode adotar intervenções pontuais para estabilizar o mercado.

Essa possibilidade cresce porque o movimento não decorre de fatores macroeconômicos tradicionais, mas sim de uma alteração tributária que muda o comportamento das empresas. Desse modo, o BC observa de perto o ritmo das remessas diárias.

O banco destaca que a leitura do BC deve ser técnica, porém condicionada ao risco de desancoragem de expectativas cambiais em pleno período de fechamento de ano. Assim, um novo ciclo de intervenções não está descartado.

Projeções para dólar em 2024 e 2026

Com o fluxo extraordinário previsto, o Itaú atualizou suas estimativas e agora projeta o dólar a R$ 5,35 no fim de 2024. A pressão estrutural, somada à mudança tributária, fortalece a expectativa de uma taxa ainda maior em 2026.

A projeção para daqui a dois anos é de R$ 5,50, refletindo um cenário prolongado de incertezas fiscais, além da necessidade de ajustes macroeconômicos pelo próximo governo.

Para analistas, o câmbio tende a permanecer pressionado enquanto não houver maior previsibilidade sobre regras tributárias e trajetória de gastos públicos.

Por fim, o Itaú ressalta que o fluxo de dividendos antecipados será decisivo neste fim de ano, reforçando a importância de monitorar os dados diários do mercado à vista e derivativos. Assim, o dólar deve seguir sensível a qualquer surpresa no volume final de remessas.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.