Frente diplomática

Trump arma plano bilionário com ativos russos e deixa Europa em alerta

EUA querem controlar fundo de reconstrução da Ucrânia e dividir lucros, enquanto UE reage com cautela.

Trump
  • Europa já enviou US$ 197 bi e precisa de mais US$ 153 bi até 2027.
  • Trump propõe fundo de US$ 200 bi com ativos russos e gestão americana.
  • UE reage com cautela e rejeita pagar sozinha pela reconstrução da Ucrânia.

Donald Trump abriu uma nova frente diplomática. Em seu plano preliminar de paz, o presidente dos EUA propôs um fundo de US$ 200 bilhões para reconstruir a Ucrânia, usando US$ 100 bilhões em ativos russos congelados somados a outros US$ 100 bilhões da União Europeia, tudo isso sob gestão americana e com 50% dos lucros voltando para Washington.

A iniciativa pegou a Europa de surpresa. O bloco discute há anos o destino dos ativos russos e teme aumentar tensões com Moscou. A proposta elevou o debate político em meio à pressão por novas formas de financiar Kiev.

Europa reage e evita aval imediato

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que “não há cenário em que os contribuintes europeus paguem a conta sozinhos”, recebendo aplausos no Parlamento Europeu.

O comentário evidencia o desconforto de Bruxelas com a ideia de ceder o comando do fundo aos EUA.

Mesmo assim, os ativos russos seguem vistos como ferramenta crucial para manter a pressão sobre Moscou e reforçar a ajuda militar e orçamentária à Ucrânia, que enfrenta ataques crescentes com drones e operações de sabotagem.

Custo de guerra pressiona aliados

A UE já enviou quase US$ 197 bilhões a Kiev desde 2022. Agora, discute como financiar os US$ 153 bilhões estimados para sustentar o orçamento ucraniano entre 2026 e 2027.

Por isso, mesmo com divergências, há quase unanimidade entre os 27 países europeus sobre a necessidade de recorrer aos ativos russos congelados.

Contudo, entregar a gestão ao governo americano não é consenso. A proposta de Trump amplia incertezas sobre repartição de lucros, governança e riscos diplomáticos com a Rússia.

Washington pressiona, mas decisão deve demorar

Apesar do peso político da ideia, diplomatas europeus dizem que não há acordo à vista.

Ademais, o plano de Trump aumenta a pressão.

Por outro lado, ele também abre debate sobre como equilibrar apoio à Ucrânia, soberania europeia e custo fiscal em meio ao desgaste da guerra.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.