Falha na operação

Petrobras (PETR4) teria perdido R$ 1,16 bi em venda estratégica e TCU acende alerta

Corte aponta falhas na modelagem da negociação da NTS e pressiona estatal por novas revisões internas.

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  • TCU aponta perda de R$ 1,16 bilhão da Petrobras (PETR4) na venda da NTS por falhas na modelagem.
  • Margem Equatorial ganha força no planejamento energético e pode gerar até R$ 3,8 trilhões.
  • Governo pressiona o STF para liberar socorro de R$ 2,4 bilhões à Eletronuclear.

O TCU concluiu que a Petrobras (PETR4) deixou de receber R$ 1,16 bilhão na venda de 90% da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), fechada em 2016 por R$ 17,4 bilhões com a Brookfield. Segundo o órgão, a perda decorreu de falhas na estruturação financeira da operação, especialmente na definição do risco cambial.

A Corte identificou que a estatal aceitou converter o valor da venda para dólar a uma taxa contratual de R$ 3,35, em condições desfavoráveis. A variação cambial entre a assinatura e o pagamento final ampliou o prejuízo e levantou dúvidas sobre a condução interna dos desinvestimentos no período.

TCU critica modelagem e reforça impacto financeiro

O relatório do Tribunal indica que a Petrobras assumiu um risco cambial considerado inadequado para uma operação dessa escala. A conversão antecipada de valores para dólar, segundo os técnicos, ocorreu sem mecanismos de proteção suficientes para preservar o valor final do negócio.

Assim, a decisão sobre a taxa usada na negociação reduziu significativamente o retorno esperado pela estatal. O TCU diz que a modelagem não maximizou o valor do ativo, apesar de a empresa apresentar a operação como parte da desalavancagem.

Portanto, os conclusões devem intensificar o debate sobre as vendas de 2015 e 2016, marcadas por ajustes financeiros, pressão por liquidez e decisões aceleradas de desinvestimento.

Margem Equatorial volta ao centro das discussões

Enquanto revisita operações antigas, o Brasil também mira o futuro da exploração de petróleo. Especialistas destacam que a Margem Equatorial, com reservas recuperáveis estimadas em 10 bilhões de barris, pode gerar até R$ 3,8 trilhões em valor bruto e ajudar a suprir uma demanda global que seguirá elevada até 2050.

Cenários projetados indicam um possível déficit de oferta entre 40 e 50 milhões de barris por dia, o que torna a região estratégica para o país. Além disso, o custo de exploração relativamente baixo aumenta o apelo econômico do projeto.

Apesar do potencial, a abertura dessa nova fronteira exige debate sobre impactos ambientais, governança e destinação dos recursos, para evitar distorções da chamada “maldição dos recursos naturais” e garantir benefícios fiscais e climáticos.

Governo corre contra o tempo para destravar apoio à Eletronuclear

O governo federal tenta acelerar no STF o julgamento do acordo entre a União e a Axia (ex-Eletrobras) para viabilizar um socorro à Eletronuclear, responsável por Angra 1 e 2. A empresa pode enfrentar falta de caixa nas próximas semanas caso o entendimento não seja validado.

Ademais, com a aprovação, a Eletronuclear poderá emitir R$ 2,4 bilhões em debêntures para quitar um empréstimo recente e recompor seu fluxo financeiro. A obrigação de compra desses títulos passará à Âmbar Energia, do grupo J&F, após a venda da participação da Axia.

Por fim, fontes do governo afirmam que o compromisso será cumprido, mas os trâmites dependem da própria Eletronuclear. A J&F não comentou o caso.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.