Subindo com força

Após proposta maior da Paramount, ações da Warner disparam mais de 4%

A investida hostil reacende a disputa bilionária envolvendo Warner, Paramount e Netflix e mexe com o humor dos investidores.

Estúdios da Warner Bros. Studios en Burbank, Califórnia — Foto: Bloomberg
Estúdios da Warner Bros. Studios en Burbank, Califórnia — Foto: Bloomberg
  • Ambas as ofertas enfrentam obstáculos regulatórios e críticas de políticos e sindicatos
  • Warner sobe após oferta hostil da Paramount superar proposta da Netflix
  • Paramount argumenta que proposta em dinheiro facilita aprovação e aumenta valor entregue aos acionistas

As ações da Warner Bros Discovery avançaram com força nesta segunda-feira, após a Paramount Skydance apresentar uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões, movimento que elevou a competição no setor de mídia e colocou nova pressão sobre a Netflix. O papel chegou a subir mais de 7% e fechou em alta de 4,41%, a US$ 27,23, refletindo a expectativa do mercado sobre o desfecho da disputa.

Ao mesmo tempo, a Paramount subiu 9,02%, enquanto a Netflix recuou 3,44%, mostrando reação imediata dos investidores à proposta, que busca superar a oferta realizada pela gigante do streaming dias antes.

Paramount tenta virar o jogo com proposta agressiva

A iniciativa da Paramount surge como resposta direta ao movimento da Netflix, que havia garantido um acordo de US$ 72 bilhões pelos ativos de TV, cinema e streaming da Warner Bros Discovery. Embora a oferta da Netflix tenha sido considerada robusta, a nova investida tenta alterar o rumo da negociação e aumentar a competitividade no setor.

A Paramount defende que sua proposta de US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro, entrega cerca de US$ 18 bilhões a mais aos acionistas, além de facilitar a aprovação regulatória. Esse argumento busca reforçar a ideia de que a fusão fortaleceria a presença no mercado e garantiria equilíbrio na indústria do entretenimento.

A empresa afirma que a união com a Warner criará uma potência que estimula a concorrência e beneficia a comunidade criativa e os consumidores.

Críticas à oferta da Netflix colocam pressão adicional

A proposta da Netflix enfrenta obstáculos significativos, especialmente em relação ao risco antitruste. A taxa de desmembramento de US$ 5,8 bilhões adiciona complexidade, enquanto autoridades e parlamentares dos dois principais partidos dos EUA já manifestaram preocupação com a possibilidade de cortes de pessoal e aumento de preços para consumidores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também colocou dúvidas sobre a viabilidade do acordo, ampliando o escrutínio político. Esse cenário cria incertezas e fortalece a percepção de que a transação pode enfrentar uma longa batalha regulatória.

Além disso, sindicatos de Hollywood resistem à fusão e alertam para perda de empregos e concentração excessiva, ampliando o debate sobre impactos na indústria.

Fusão Paramount–Warner também enfrenta riscos

Apesar de apresentar uma oferta considerada superior, a Paramount não escapa de desafios regulatórios. A fusão aumentaria substancialmente o domínio da companhia no mercado de estúdios, fator que pode gerar preocupações similares às enfrentadas pela Netflix.

Especialistas alertam que a fusão pode elevar o risco de concentração em um setor de mídia que vive consolidação acelerada. O temor de novos cortes de pessoal permanece entre sindicatos, que acompanham o processo com cautela.

Esse cenário prolonga a disputa e impacta o mercado, as plataformas de streaming, os cinemas e todo o ecossistema criativo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.