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Parceiro à vista? Shell mira venda de fatia bilionária no pré-sal brasileiro para destravar projeto

Após assumir participação da TotalEnergies, gigante busca aliado para bancar investimento de US$ 3 bilhões no campo Gato do Mato, previsto para operar em 2029.

shell padrao2024
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  • Parceria reduz risco financeiro enquanto mantém controle operacional da petroleira
  • Shell tenta vender 20% do Gato do Mato para dividir custo de projeto de US$ 3 bilhões
  • Campo deve produzir 120 mil barris/dia e reforçar portfólio brasileiro a partir de 2029

A Shell começou a sondar o mercado para vender 20% do complexo Gato do Mato, ativo estratégico do pré-sal, a fim de levantar capital e acelerar um projeto offshore bilionário. A companhia quer dividir custos, mas manter o controle operacional após assumir a participação da TotalEnergies por troca de ativos.

Fontes afirmaram à Bloomberg que a petroleira britânica tenta ajustar caixa e risco enquanto amplia presença no Brasil, especialmente após novos movimentos em leilões recentes conduzidos pela PPSA.

Pressão por capital e produção futura

O Gato do Mato, renomeado Orca e Sul de Orca, deve começar a produzir em 2029 com capacidade de 120 mil barris/dia, mantendo a Shell entre os principais players privados do país.

Mesmo com reservas menores que outras descobertas profundas, o ativo ajuda a compensar o declínio natural de campos maduros.

Hoje, o único campo operado diretamente pela companhia é o Parque das Conchas, que já passou do pico e entrega cerca de 30 mil barris/dia. Por isso, o novo projeto se torna ainda mais relevante para o portfólio brasileiro.

A Welligence calcula que o complexo representa 10% das operações da Shell no Brasil, reforçando sua importância estratégica no médio e longo prazo.

Risco compartilhado e estratégia de operação

A decisão de buscar um parceiro segue a lógica de dividir riscos em projetos de alto custo, mantendo governança e operação sob controle da Shell. A empresa não confirmou oficialmente a negociação, mas analistas apontam que o movimento é coerente com o atual ambiente de custos elevados.

Segundo André Fagundes, da Welligence, outro sócio reduziria a “exposição de capital” sem comprometer a autonomia operacional do projeto. Essa abordagem se torna crítica diante dos desafios técnicos do pré-sal, marcado por profundidade elevada, alta pressão e baixa temperatura.

O projeto inclui uma FPSO arrendada, o que deve reduzir o desembolso inicial e facilitar o avanço do desenvolvimento.

Avanço no pré-sal e Margem Equatorial

A Shell mantém expansão ativa no país. Na semana passada, ampliou participação em dois campos durante leilão, reforçando o foco no pré-sal.

A empresa também explora a Margem Equatorial, área ambientalmente sensível onde busca novas descobertas para sustentar sua produção futura.

Embora o Gato do Mato tenha volume menor, sua contribuição será essencial na próxima década para limitar a velocidade da queda de produção prevista nos maiores campos do país, que entrarão em declínio mais forte na década de 2030.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.