
- Dia recupera só 12% dos R$ 163,3 milhões vinculados ao Master.
- Risco financeiro aumenta, com caixa pressionado e pagamentos incertos.
- Precatório tem pouca liquidez e pode sofrer deságio elevado.
O Dia obteve apenas R$ 20 milhões à vista, equivalente a 12%, dos R$ 163,3 milhões aplicados em um CDB do Letsbank, empresa do conglomerado Banco Master, hoje em liquidação extrajudicial. O supermercado havia comprometido 70% do seu caixa nesse investimento.
O acordo fechado semanas antes da quebra previa pagamentos parcelados e a cessão de um precatório federal, mas a liquidação do Master tornou o recebimento incerto. Agora, as condições dependem do crivo do liquidante nomeado pelo Banco Central.
Acordo vira risco após liquidação do Master
Em 22 de outubro, o Dia firmou um acordo para recuperar os R$ 163,3 milhões, com R$ 20 milhões pagos na hora e R$ 50 milhões previstos para 2026, divididos em dez parcelas corrigidas a 109% do CDI. O restante seria quitado com um precatório de R$ 116 milhões.
Ademais, com a liquidação do Master em 18 de novembro, o cronograma passou a ser incerto. O administrador judicial aponta que nenhum pagamento deve ocorrer até que os ativos do banco sejam liquidados.
Desse modo, a rede afirma estar cumprindo integralmente as obrigações da Recuperação Judicial, garantindo operações, abastecimento e relações com fornecedores.
Precatório não resolve caixa e pode valer bem menos
O título recebido pelo Dia tem valor de face elevado, mas não significa liquidez. Precatórios federais dependem de fila orçamentária e não têm prazo garantido de pagamento.
Além disso, caso precise converter o ativo, o Dia terá de vendê-lo no mercado secundário, onde esses papéis sofrem deságios de 30% a 60%. A administradora judicial já alerta para possível impairment, indicando que o valor recuperável pode ser muito inferior ao registrado.
Portanto, parte do acordo está sob sigilo judicial, o que impede a divulgação de detalhes relevantes e aumenta a incerteza em torno do ativo.
Queima de caixa segue e amplia pressão operacional
Segundo o relatório do administrador judicial, a liquidez do Dia já demonstrava deterioração antes mesmo da quebra do Master. Sendo assim, a empresa opera agora sob risco relevante, com desempenho operacional frágil.
Ademais, a pressão sobre o capital de giro tende a aumentar, especialmente com a maior dependência de um ativo de baixa liquidez e pagamentos incertos.
Por fim, a combinação de caixa curto, incerteza jurídica e desempenho fraco reforça o alerta sobre a capacidade de fôlego financeiro da varejista.
Em nota o dia se manifestou oficialmente:
“O Dia informa que todas as informações financeiras são divulgadas exclusivamente pelos canais oficiais da Administração Judicial. Qualquer informação além desta está protegida por sigilo bancário.
Reforçamos que estamos cumprindo 100% todas as obrigações previstas no processo de Recuperação Judicial, e que não há qualquer alteração na condução das operações, no abastecimento das lojas ou em qualquer relação com parceiros, fornecedores e clientes.”