
- Itaú cria novo pilar cultural que exige foco, priorização e renúncia.
- Banco reforça que, na era da IA, decidir e cortar excessos vira vantagem competitiva.
- Mudança afeta 100 mil funcionários e impacta bônus, promoções e liderança.
O Itaú Unibanco (ITUB4) decidiu acelerar a atualização de sua cultura corporativa e incorporou o novo pilar “a gente faz escolhas e toma decisões”, sinalizando que o banco quer mais foco e menos dispersão. A medida ganhou força na cúpula e passou a ser tratada como essencial para o futuro da instituição.
A diretoria afirma que, diante da abundância de dados e da popularização da Inteligência Artificial, priorizar e renunciar deixa de ser opcional. Por isso, o CEO Milton Maluhy Filho reforçou o recado a todos os mais de 100 mil colaboradores em um evento interno que viralizou até no LinkedIn.
Itaú impõe foco e corta a “síndrome da empresa rica”
A nova diretriz surgiu das pesquisas internas que, repetidamente, apontaram excesso de frentes simultâneas como trava para a eficiência. Assim, a cúpula concluiu que lideranças precisavam reduzir projetos paralelos e adotar renúncias explícitas.
Segundo o VP Sergio Fajerman, o banco percebeu que custos crescem rápido quando ninguém prioriza. Além disso, o excesso de iniciativas gerava desgaste nas equipes e atrasava entregas.

Com isso, o banco passa a admitir publicamente que tem limites, algo raro em grandes instituições financeiras e que precisa otimizar recursos, inclusive tecnológicos.
Novo pilar entra no treinamento e passa a impactar bônus
O Itaú já incorporou o novo valor aos treinamentos, que começam pelo Comitê Executivo e seguem para diretores, superintendentes e gerentes. Como consequência, mais de 11 mil líderes devem aplicar o conceito diretamente na rotina.
A cultura também impactará promoções e bônus, já que o banco ampliou o modelo de avaliação 360º iniciado em 2021. Essa nota agora considera o que o profissional entrega e como entrega, reforçando o alinhamento cultural.
A exigência de coerência também pesa sobre a alta administração, que recebe a orientação de “walk the talk” para evitar contradições e reforçar o exemplo.
Cultura vira vantagem competitiva no ambiente de IA
A instituição lembra que cultura é ativo estratégico desde a fusão com o Unibanco, em 2010. Apesar disso, o banco diz que precisa atualizar práticas para acompanhar o ritmo do mercado e o novo comportamento dos clientes.
Além disso, o Itaú mantém outros pilares recentes: “a gente não sabe tudo”, “a gente vai de turma” e “a gente quer diversidade e inclusão”, atualizados em 2022. A aceleração da IA e o volume crescente de dados tornaram ainda mais urgente esse ajuste.
A liderança reforça que a cultura só funciona quando sai do discurso e vira prática diária, principalmente em um momento em que clientes exigem agilidade e simplicidade em ritmo constante.