
- Motiva (MOTV3) vence leilão da Fernão Dias com deságio de 17,05%
- Analistas veem alavancagem controlada e espaço para novas concessões
- Contrato prevê R$ 15 bilhões em investimentos e TIR real de ~20%
A Motiva (MOTV3) venceu o leilão de concessão da BR-381/MG/SP (Fernão Dias), realizado na última quinta-feira (11), com deságio de 17,05% sobre a tarifa de pedágio. A vitória reforça a estratégia da companhia no setor rodoviário e foi bem recebida por analistas.
O ativo era disputado pelo Consórcio Infraestrutura MG e pela Arteris, atual operadora da rodovia desde 2008. As propostas concorrentes ficaram em 11,25% e 0,00% de deságio, respectivamente.
Investimentos robustos e execução adiantada
O contrato prevê cerca de R$ 15 bilhões em investimentos, voltados à modernização, duplicação e ampliação da rodovia.
Entre as obras previstas estão faixas adicionais, vias marginais, correções de traçado, passarelas, interseções, passagens de fauna e dois Pontos de Parada e Descanso (PPDs).
A companhia afirmou que já possui projetos de engenharia contratados e licenças ambientais, o que deve acelerar a execução e reduzir riscos operacionais.
Alavancagem sob controle
Segundo o Bradesco BBI, a Motiva indicou alavancagem inferior a 80% dos investimentos, com expectativa de ganhos de eficiência e forte geração de caixa ao longo da concessão.
O banco estima uma TIR real alavancada de cerca de 20%, com valor presente líquido próximo de R$ 450 milhões.
Portanto, equivalente a R$ 0,20 por ação, ou 1,4% do preço atual.
Espaço para novos leilões
Para o Bradesco BBI, a vitória não deve gerar impacto relevante na alavancagem consolidada.
Sendo assim, a empresa se mantém apta a disputar novos leilões em 2026, como Régis Bittencourt e Rota Mogiana.
Desse modo, o banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,00 para o fim de 2026, citando ainda potencial adicional via reequilíbrios contratuais.
Visão de JPMorgan e BTG
O JPMorgan observou que a reação inicial do mercado foi levemente negativa, com desaceleração da alta das ações.
Ainda assim, considera o resultado positivo, citando o histórico conservador da Motiva na alocação de capital.
Além disso, o banco também destaca que o capex contratado pode chegar a quase R$ 60 bilhões, o equivalente a 1,9 vez o valor de mercado da companhia.
Por fim, tanto JPMorgan quanto BTG mantêm recomendação equivalente à compra para MOTV3.