
- Ouro sobe cerca de 60% em 2025 e supera índices globais
- Ativo entra em 2026 com expectativa positiva, apesar de possíveis correções
- Juros menores e compras de bancos centrais sustentam a alta
O ouro registrou forte valorização em 2025, superando os principais índices de ações globais e reforçando seu papel como ativo de proteção em um cenário marcado por incertezas econômicas, conflitos geopolíticos e mudanças na política monetária.
Ao longo do ano, o metal acumulou alta próxima de 60% no mercado internacional, sendo negociado perto de US$ 4.220 por onça troy. Com isso, o desempenho colocou o ouro entre os ativos de melhor performance do ano.
Fatores que impulsionaram a alta
Segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, a valorização foi sustentada por fatores estruturais bem definidos. Assim, o principal vetor veio das compras de bancos centrais, que ampliaram posições para diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar.
Além disso, a demanda física permaneceu elevada, especialmente na Ásia. Enquanto isso, o ambiente macroeconômico global reforçou o ouro como reserva de valor diante da fragmentação geopolítica.
Outro ponto relevante foi o início do ciclo de cortes de juros nas principais economias. Portanto, a redução do custo de carrego aumentou a atratividade dos ativos reais frente à renda fixa.
Desempenho no mercado brasileiro
No Brasil, o movimento também foi expressivo. De acordo com Caio Mitsuo, especialista em investimentos, a valorização do ouro no mercado doméstico se aproximou de 65% até meados de dezembro.
No primeiro trimestre, mesmo com o Federal Reserve mantendo juros entre 4,25% e 4,50%, as expectativas de cortes favoreceram o metal. Além disso, a redução dos juros reais reforçou o fluxo comprador.
Já no segundo e terceiro trimestres, a escalada de conflitos internacionais e o avanço das compras por bancos centrais sustentaram a tendência. Com isso, o ouro chegou a operar próximo de US$ 4.300.
Leitura do ciclo e expectativas
Segundo Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain, o ciclo de valorização começou antes de 2025. Assim, o movimento ganhou força a partir de 2022, com a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Desde então, conflitos no Oriente Médio e o enfraquecimento do dólar ampliaram o posicionamento comprador. No entanto, especialistas apontam que correções pontuais são naturais após uma alta intensa.
Para 2026, o cenário segue construtivo. Portanto, riscos fiscais elevados, incertezas globais e atuação contínua de bancos centrais mantêm o ouro no radar dos investidores.