
- Déficit das estatais federais chegou a R$ 6,3 bilhões até novembro
- Correios concentram a pressão, com plano de recuperação e cortes
- Resultado é o segundo pior da série histórica, atrás apenas de 2024
O déficit das estatais federais somou R$ 6,3 bilhões entre janeiro e novembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado se aproxima do recorde histórico da série, registrada em 2024, e reforça a deterioração fiscal dessas empresas.
Mesmo com leve melhora em novembro, o rombo acumulado segue elevado e reflete um cenário em que as despesas superam as receitas geradas pelas estatais ao longo do ano.
Número perto do recorde
O resultado de R$ 6,3 bilhões representa o segundo maior déficit da série histórica, iniciada em 2002.
O maior valor ocorreu no mesmo período de 2024, quando o rombo atingiu R$ 6,7 bilhões.
Em relação a outubro, houve apenas uma redução marginal, já que o déficit acumulado até o mês anterior era de R$ 6,35 bilhões. Ainda assim, o nível permanece elevado.
A série do BC não inclui Petrobras, Eletrobras nem bancos públicos, o que mostra que o problema se concentra em outras estatais federais.
Como o BC calcula
O Banco Central mede o resultado a partir da necessidade de financiamento das empresas.
Ou seja, o cálculo avalia se as estatais demandam recursos do Tesouro Nacional ou se conseguem injetar recursos nos cofres públicos.
Em 2025, o saldo negativo indica maior dependência de recursos públicos, pressionando o resultado fiscal do governo.
Nesse contexto, o desempenho reflete dificuldades estruturais, principalmente em empresas com obrigações de serviço público e baixa capacidade de geração de caixa.
Correios puxam o rombo
A situação dos Correios aparece como o principal fator por trás do déficit.
Ademais, a estatal enfrenta uma crise financeira prolongada e calcula a necessidade de até R$ 20 bilhões para recuperar a sustentabilidade até 2027.
Em 2024, a empresa registrou déficit superior a R$ 2,5 bilhões. Já no primeiro semestre de 2025, o prejuízo passou de R$ 4 bilhões.
Portanto, sem mudanças, as projeções indicam um rombo de até R$ 10 bilhões em 2025 e de R$ 23 bilhões em 2026.
Plano de recuperação
Para tentar reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízo, os Correios firmaram um empréstimo de R$ 12 bilhões em 2025.
Além disso, a estatal anunciou um plano de recuperação.
Entre as medidas estão o fechamento de mil agências, a demissão de 15 mil funcionários e a venda de imóveis e ativos.
Por fim, o objetivo é reduzir um prejuízo estrutural anual superior a R$ 4 bilhões, ligado à universalização do serviço postal.