
- Bitcoin fecha 2025 em baixa após perder força depois do recorde histórico
- Ativo mostra maturidade maior, mas ciclos explosivos ficam menos frequentes
- Correção forte, menor fluxo e cenário macro limitaram novas altas
O Bitcoin chega ao fim de 2025 de forma frustrante para os investidores mais otimistas. Mesmo após renovar a máxima histórica acima de US$ 126 mil em outubro, a criptomoeda não sustentou o rali e caminha para encerrar o ano abaixo dos US$ 90 mil, registrando sua primeira perda anual desde 2022.
O desempenho contrasta com projeções que apontavam preços entre US$ 180 mil e US$ 200 mil. A reversão ocorreu após uma combinação de correção técnica, redução no fluxo de investidores e um ambiente macroeconômico menos favorável, que esfriaram o mercado no segundo semestre.
Flash crash muda o jogo
O ponto de virada aconteceu em 10 de outubro, quando o Bitcoin sofreu um flash crash de cerca de 10% em minutos.
O movimento gerou mais de US$ 19 bilhões em liquidações em 24 horas e retirou aproximadamente US$ 500 bilhões da capitalização total do mercado cripto.
Logo depois, o BTC passou a operar mais de 30% abaixo do pico, interrompendo um ano que começou com forte otimismo. A queda expôs fragilidades do rali e abriu espaço para uma correção mais prolongada, que se estendeu até o fim do ano.
Com isso, diversas previsões feitas ao longo de 2025 foram colocadas em xeque. O mercado passou a reavaliar a capacidade do ativo de repetir ciclos explosivos vistos no passado.
Regulação, fluxo e macro pressionam
Segundo Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, três fatores explicam a frustração: regulação, comportamento dos investidores e ambiente macroeconômico.
No campo regulatório, avanços como o Genius Act ajudaram a afastar cenários mais pessimistas. Porém, a não aprovação da Market Clarity Act, considerada essencial para destravar o setor cripto e o DeFi, reduziu o potencial de alta e ficou para 2026.
Já no fluxo, houve forte acumulação no início do ano, liderada por ETFs, investidores de longo prazo e grandes carteiras.
Contudo, esse movimento perdeu força no segundo semestre, enquanto carteiras antigas passaram a realizar lucros, aumentando a pressão de venda.
Fed e liquidez limitam rali
O terceiro fator veio do cenário macro. O Federal Reserve realizou três cortes de juros em 2025, abaixo do ritmo esperado no início do ano.
Embora suficientes para afastar um cenário mais duro, os cortes não geraram a liquidez necessária para sustentar um novo ciclo de alta mais agressivo.
Nesse contexto, o Bitcoin falhou em se aproximar das faixas mais ambiciosas de preço. A combinação de juros ainda elevados e menor apetite ao risco limitou o fluxo para ativos alternativos.
O resultado foi um mercado mais cauteloso e menos disposto a sustentar movimentos verticais de valorização.
Modelo das empresas em BTC é testado
A correção também expôs fragilidades do modelo de empresas de tesouraria em Bitcoin. O caso mais emblemático envolveu a Strategy, de Michael Saylor.
Com as ações negociadas a prêmio elevado em relação às reservas de BTC, o investidor Jim Chanos montou uma operação vendida nos papéis e comprada em Bitcoin.
Após as ações atingirem recorde em julho, o movimento se inverteu com a queda do mercado.
Do anúncio da estratégia até novembro, os papéis da empresa caíram 42%, reforçando dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo em ciclos de correção.
Bitcoin mais macro e menos cíclico
Para a 21Shares, parte da frustração vem de uma mudança estrutural. O tradicional ciclo de quatro anos, baseado no halving, perdeu força como principal motor de preço.
Embora a emissão anual do Bitcoin esteja abaixo de 1%, menor que a inflação do ouro, o impacto marginal do halving vem diminuindo. O ativo passa a se comportar mais como um ativo macro, influenciado por déficits fiscais, política monetária e tensões globais.
Em 2025, enquanto o ouro acumulou alta expressiva com fluxos maiores, o Bitcoin recebeu cerca de US$ 20 bilhões em entradas, sem resposta proporcional de preço.
Mercado mais maduro, menos explosivo
Apesar disso, o perfil do mercado mudou. ETFs, empresas e até entes soberanos absorveram em 2025 mais de seis vezes o volume de bitcoins minerados no período.
Esse capital é considerado mais paciente, o que explica a menor volatilidade e correções mais controladas. Desde 2024, as quedas a partir das máximas não superaram 30%, bem abaixo dos recuos de ciclos anteriores.
Dados da Coinbase indicam que a volatilidade do Bitcoin passou a se aproximar da de ações de tecnologia de alto crescimento, reforçando a tese de um ativo mais maduro, porém menos imprevisível.