
- Debêntures isentas somam R$ 150,7 bi até novembro e já superam 2024
- Transporte, energia e prazos longos dominaram o mercado em 2025
- Receio do fim da isenção acelerou emissões e decisões de investimento
As debêntures incentivadas, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, bateram recorde histórico em 2025. As emissões somaram R$ 150,7 bilhões entre janeiro e novembro, segundo a Anbima, superando os R$ 135,1 bilhões registrados em todo o ano passado.
O avanço ocorreu em meio ao receio do fim da isenção tributária, o que acelerou decisões de captação e investimento. Apenas em novembro, as empresas levantaram R$ 17,4 bilhões, o terceiro maior volume mensal do ano, com alta de 105,6% na comparação anual.
Debêntures puxam mercado de capitais
O mercado de debêntures como um todo também atingiu um patamar inédito.
As emissões totais, com e sem benefício fiscal, chegaram a R$ 433 bilhões até novembro, crescimento de 6,8% em relação a 2024.
As debêntures incentivadas representaram 34,8% desse total.
O rendimento médio dos papéis, medido pelo Índice de Debêntures Anbima, ficou em 14,86% no ano, reforçando a atratividade do instrumento.
Medo de tributação acelerou emissões
O forte crescimento coincidiu com as discussões sobre a tributação de debêntures incentivadas, LCIs e LCAs.
Em junho, a MP 1.303 chegou a prever alíquota de 5% a partir de 2026, como alternativa ao aumento do IOF.
Apesar de a proposta ter sido barrada no Congresso, o debate gerou uma corrida antecipada de empresas e investidores para garantir emissões ainda livres de imposto.
Transporte e energia lideram captações
Os setores de transporte e logística e energia elétrica lideraram as emissões, com 34,2% e 33,7% do total, respectivamente.
Além disso, saneamento respondeu por 9,8%, enquanto TI e telecomunicações ficaram com 4,9%.
Portanto, segundo a Anbima, o avanço de transporte e logística reflete o impacto dos programas de concessões, que ampliaram a demanda por financiamento de longo prazo.
Prazos longos e investidores institucionais
O prazo médio das debêntures incentivadas chegou a 12,9 anos, mais que o dobro dos 5,7 anos das debêntures tradicionais.
Ademais, os fundos de investimento lideraram as compras, com 33,3% do volume, enquanto as pessoas físicas ficaram com 6,9%.
Por fim, no mercado secundário, as negociações de debêntures incentivadas somaram R$ 316 bilhões, novo recorde, o que aumentou a liquidez para quem deseja sair antes do vencimento.