
O Tribunal de Contas da União (TCU) começou nesta sexta-feira (2) a inspeção técnica nos documentos relacionados ao Banco Master que estão sob custódia do Banco Central (BC). A medida foi confirmada pelo presidente da corte, ministro Vital do Rêgo, e ocorre mesmo durante o recesso judiciário do tribunal.
De acordo com Vital do Rêgo, o BC enviou ao TCU uma nota técnica em 29 de dezembro de 2025 justificando a liquidação extrajudicial do banco, decretada em novembro do ano passado. No entanto, a documentação completa permanece no BC devido ao sigilo bancário. “A unidade técnica fará a inspeção e análise dessa documentação antes de se manifestar sobre o processo”, explicou o presidente.
O processo no TCU, relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, apura possíveis falhas e omissões na atuação do Banco Central como regulador durante a crise do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro – atualmente em prisão domiciliar. A defesa de Vorcaro busca questionar a liquidação para enfraquecer investigações criminais paralelas.
Ministros do TCU consultados anonimamente indicam que a análise prévia pela área técnica “reduz o risco de medidas cautelares precipitadas”, como uma suspensão da liquidação durante o recesso. Tal decisão poderia impactar os pagamentos em curso pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a investidores lesados.
O TCU realiza uma fiscalização de “segunda ordem”, verificando se o BC agiu dentro de suas competências e com razoabilidade, sem poder anular diretamente a liquidação. Fontes da corte avaliam que há pouca probabilidade de reversão da medida, dada a falta de votos para isso e o rito processual prolongado.
O caso ganhou repercussão após indícios de irregularidades no Master, incluindo operações suspeitas e atrasos em entregas de documentos ao regulador.
“Pressão política”
O envolvimento do TCU no caso tem gerado críticas nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), onde usuários questionam a competência da corte para atuar em uma instituição privada como o Banco Master, cujo resgate envolve recursos do FGC, de natureza privada, e não diretamente públicos.
Relatos apontam para uma possível “pressão política” exercida pelo tribunal, que estaria esticando sua atuação além do papel constitucional, ameaçando a independência do Banco Central e servindo a interesses escusos, inclusive com menções a influências de políticos de esquerda.
Entidades do setor bancário também reagiram, destacando que decisões do TCU podem comprometer a autonomia regulatória do BC.