Alta considerável

Títulos da Venezuela disparam após captura de Maduro e mercado aposta em megareestruturação

Dívida soberana e papéis da PDVSA sobem até 20% com expectativa de mudança política e acordo histórico.

REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/File Photo
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/File Photo
  • Passivo externo pode chegar a US$ 170 bilhões, segundo analistas
  • Títulos da Venezuela e da PDVSA sobem até 20% após captura de Maduro
  • Mercado aposta em reestruturação histórica da dívida soberana

Os títulos da Venezuela dispararam nesta segunda-feira após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA. A operação militar realizada no sábado aumentou a expectativa de mudança política e destravou apostas em uma ampla reestruturação da dívida soberana.

Como resultado, os papéis do governo venezuelano e da estatal PDVSA avançaram até 8 centavos de dólar, alta próxima de 20%, logo no início do pregão europeu.

Expectativa de reestruturação histórica

Com a remoção de Maduro, investidores passaram a precificar um cenário mais favorável para negociações com credores. Assim, o mercado voltou a apostar em uma das maiores reestruturações de dívida da história.

Segundo analistas do JP Morgan, os títulos da Venezuela e da PDVSA ainda podem subir até 10 pontos adicionais ao longo do dia. Além disso, o banco avalia que os preços atuais não refletem totalmente o novo ambiente político.

Por isso, mesmo após a forte alta recente, o movimento ainda é visto como incompleto.

Papéis já vinham em forte alta

Antes mesmo da captura de Maduro, os títulos venezuelanos já acumulavam forte valorização. Desde 2024, os papéis, em default desde 2017, quase dobraram de preço.

Na sessão desta segunda-feira, o título com vencimento em 2031 avançou para quase 40 centavos de dólar. Enquanto isso, outros papéis soberanos passaram a operar entre 35 e 38 centavos.

Ao mesmo tempo, a dívida da PDVSA subiu mais de 6 centavos, aproximando-se de 30 centavos de dólar.

Dívida total amplia complexidade

Apesar da euforia, o tamanho do passivo segue como desafio central. O governo da Venezuela e a PDVSA entraram em default com cerca de US$ 60 bilhões em valor nominal.

No entanto, ao incluir outras obrigações, o número cresce de forma relevante. Analistas estimam que a dívida externa total fique entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões.

Dessa forma, qualquer acordo exigirá tempo, coordenação política e concessões amplas entre as partes.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.