
- Chevron (CHVX34) dispara e lidera ganhos por já operar na Venezuela
- Exxon (EXXO34) e ConocoPhillips (COPH34) sobem, mas mantêm cautela jurídica
- Reabertura do setor pode levar anos devido à infraestrutura degradada
As ações de petrolíferas dos Estados Unidos avançaram forte no pré-mercado desta segunda-feira após Donald Trump afirmar que os EUA planejam “administrar” a Venezuela depois da captura de Nicolás Maduro no fim de semana. O comentário reacendeu apostas sobre uma reabertura do setor petrolífero do país.
Nesse contexto, o mercado reagiu rapidamente à possibilidade de maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo, impulsionando ações de companhias com histórico ou presença ativa na região.
Chevron lidera alta e chega a subir dois dígitos
Os papéis da Chevron (CHVX34) chegaram a subir até 10%, liderando os ganhos do setor. A empresa é atualmente a única grande petroleira americana em operação na Venezuela, graças a uma autorização especial do governo dos EUA.
Além disso, a Chevron permaneceu no país mesmo após a nacionalização de ativos estrangeiros no início dos anos 2000.
Por isso, analistas veem a companhia como a mais bem posicionada para se beneficiar imediatamente de um eventual aumento da influência americana sobre o setor petrolífero venezuelano.
Exxon e Conoco também avançam, mas com cautela
Além da Chevron, ações da ConocoPhillips (COPH34) e da Exxon Mobil (EXXO34) também registraram alta no pré-mercado.
No entanto, o cenário para essas empresas envolve disputas financeiras pendentes.
A ConocoPhillips tem mais de US$ 8 bilhões a receber da Venezuela, enquanto a Exxon ainda busca cerca de US$ 1 bilhão, referentes à expropriação de ativos no passado.
Mesmo assim, ambas adotam discurso cauteloso diante da incerteza institucional.
Insegurança jurídica ainda limita novos investimentos
Apesar do otimismo inicial do mercado, ainda não está claro o quanto as petroleiras globais estariam dispostas a investir.
Afinal, seriam volumes relevantes de capital em um país administrado por um governo temporário, apoiado pelos EUA, e sem regras legais e fiscais bem definidas.
No fim de semana, a ConocoPhillips afirmou que é prematuro especular sobre futuras atividades comerciais.
Em 2024, porém, a empresa recebeu licenças do governo americano que melhoraram sua posição para recuperar parte das perdas históricas.
Exxon adota postura defensiva; Chevron mantém operações
A Exxon Mobil afirmou que analisaria oportunidades na Venezuela, mas com prudência, devido ao histórico de expropriações.
O CEO Darren Woods reforçou essa posição em entrevista concedida em novembro.
Já a Chevron, que possui licença para perfurar e exportar petróleo, segue operando no país.
Mesmo após o governo Trump anunciar um bloqueio marítimo parcial, a empresa continuou embarcando petróleo venezuelano.
Produção ainda deve levar anos para se recuperar
Segundo analistas e operadores, podem ser necessários vários anos para restaurar totalmente a infraestrutura crítica da Venezuela.
Atualmente, o país responde por menos de 1% da oferta global de petróleo, apesar de deter as maiores reservas do planeta.
Assim, embora o movimento tenha impulsionado as ações no curto prazo, a normalização plena da produção segue como um desafio estrutural.