
- Bonds disparam com apostas em transição política
- Reestruturação depende de governo legítimo e apoio externo
- Risco segue elevado apesar da reprecificação
Títulos da Venezuela e da PDVSA avançaram com força após os EUA capturarem Nicolás Maduro, alimentando apostas em uma transição política que poderia destravar, no futuro, uma reestruturação da dívida soberana.
Papéis em default mais que dobraram de preço nos últimos meses, passando para a faixa de 23 a 33 centavos por dólar. Investidores avaliam que, em um cenário favorável, os preços de recuperação poderiam chegar a 50 a 60 centavos, embora o risco continue elevado.
Mercado precifica opcionalidade política
Apesar dos ganhos, os fundamentos seguem frágeis. A Venezuela enfrenta severas restrições de liquidez e qualquer reestruturação tende a ser longa e complexa, segundo analistas.
Ainda assim, o mercado passou a precificar a opcionalidade política, antes considerada remota.
Dados de mercado mostram que bonds soberanos e da PDVSA subiram entre 7 e 9 centavos, em negociações de baixa liquidez em Londres, refletindo apostas no papel dos EUA na transição.
Dívida bilionária limita recuperação
O país precisa reorganizar cerca de US$ 154 bilhões em títulos em default, empréstimos e decisões judiciais.
Analistas apontam que uma reestruturação só deve ocorrer com um governo legítimo e apoio do FMI, o que mantém elevada a incerteza sobre prazos.
Mesmo assim, investidores veem que a participação direta dos EUA pode acelerar o processo, especialmente via reconstrução da produção de petróleo.
Liquidez segue baixa, mas apetite cresce
Os volumes continuam concentrados em hedge funds especializados em ativos estressados.
Ainda assim, vale lembrar que a flexibilização das sanções ao trading secundário aconteceu em 2023.
Portanto, após isso, a dívida venezuelana passou a figurar entre as apostas mais lucrativas de alto risco.