
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, representa um marco na geopolítica energética global. Com Donald Trump anunciando que os EUA assumirão o controle das reservas venezuelanas — as maiores do mundo —, a grande questão é: o que acontece com os interesses chineses, responsáveis por cerca de 85-90% das exportações de petróleo do país?
O domínio chinês no petróleo venezuelano
Em 2025, a Venezuela exportava entre 750 mil e 800 mil barris por dia, com a China absorvendo a maior parte desse volume. Esse petróleo pesado é estratégico para refinarias chinesas, especialmente para produção de betume usado em infraestrutura. Empresas estatais como Sinopec e CNPC acumularam bilhões em investimentos e empréstimos (mais de US$ 60 bilhões desde 2007), muitos garantidos por remessas de óleo.
Impactos da mudança de regime
No curto prazo, estoques flutuantes e reservas acumuladas amenizam o choque para Pequim. Porém, a longo prazo, o controle americano pode interromper esses fluxos e redirecionar o petróleo para outros mercados. Trump sinalizou que empresas americanas reconstruirão a indústria petrolífera venezuelana, o que pode elevar a produção nos próximos anos — mas também excluir compradores indesejados.
Tensões EUA-China: um novo front energético
A operação é vista como um golpe direto na influência chinesa na América Latina. Pequim condenou a ação como violação de soberania e pode buscar contramedidas indiretas.
Para Washington, o domínio sobre o petróleo venezuelano cria alavancagem estratégica em negociações com a China, especialmente em temas sensíveis como uma possível invasão a Taiwan.