Em alerta

Da disparada ao tombo: por que a C&A (CEAB3) virou o pior papel da Bolsa em 2026

Ação despenca após alerta de vendas fracas e pressiona varejo.

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  • CEAB3 cai 15,7% em um dia e acumula baixa de 44% desde novembro
  • C&A sinaliza SSS próximo de zero no 4T25
  • Consumo fraco, promoções e juros altos pressionam o varejo

As ações da C&A (CEAB3) sofreram uma forte derrocada no início de 2026, após a empresa sinalizar a analistas um desempenho operacional bem abaixo do esperado no quarto trimestre de 2025. O movimento marcou uma virada brusca depois de um ano de forte valorização.

Somente no pregão de segunda-feira (5), os papéis caíram 15,71%, encerrando a R$ 10,46, na maior baixa do Ibovespa. Desde 27 de novembro de 2025, a queda acumulada já chega a 44%.

Alerta de vendas acende sinal vermelho

A C&A indicou que as vendas em mesmas lojas no 4T25 ficaram próximas de zero, frustrando expectativas de alta entre 4% e 5%. No 3T25, o indicador havia crescido 8,1%, após avanço de 18,9% um ano antes.

A companhia citou antecipação de liquidações, Black Friday excessivamente promocional, fluxo fraco em shoppings e ambiente competitivo mais duro. O impacto se espalhou pelo setor, com Lojas Renner (LREN3) e Vivara (VIVA3) caindo cerca de 3% no mesmo pregão.

Apesar da forte correção, a ação ainda subiu 77% em 2025, mas acumula queda de 16% em 2026, a pior do índice até agora.

Varejo pressionado por juros e consumo fraco

Analistas destacam que o desempenho da C&A reflete uma pressão estrutural no varejo discricionário, com consumo enfraquecido, promoções agressivas e margens ameaçadas. O cenário ocorre em meio à Selic em 15%, o que restringe crédito e renda disponível.

Ademais, dados do Natal reforçam o tom cauteloso. As vendas cresceram apenas 2% no país, enquanto os shoppings registraram alta de 2,6%, segundo indicadores setoriais. Para bancos como o JPMorgan, o 4T25 tende a ser modesto para o setor.

Nesse contexto, instituições seguem preferindo nomes mais defensivos, como RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3), enquanto veem riscos de revisão negativa para varejistas mais cíclicos.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.