
- Saída do CFO encerra ciclo da gestão ligada ao Casino
- Ruído de governança pressiona as ações no curto prazo
- Alavancagem elevada e execução seguem como principais riscos
O GPA (PCAR3) anunciou uma nova mudança relevante na sua alta liderança com a saída de Rafael Russowsky dos cargos de diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores. Com isso, o nível de ruído em torno da governança da companhia volta a subir.
Enquanto isso, o conselho nomeou Alexandre Santoro, recém-empossado CEO, como CFO interino. Além disso, Rodrigo Manso assumiu a diretoria de RI, enquanto Joaquim Sousa deixou o cargo estatutário, mas seguiu à frente das áreas Comercial e de Logística.
No mercado, a reação foi negativa. Por volta das 10h08, as ações recuavam 1,76%, cotadas a R$ 3,91, refletindo a percepção de instabilidade em meio ao processo de reorganização.
Execução financeira entra no radar
Para o JP Morgan, a saída de Russowsky traz riscos claros. Primeiro, o executivo liderava a agenda de desalavancagem e as negociações com o fisco sobre passivos tributários.
Além disso, o banco destaca que o GPA ainda opera com alavancagem elevada, estimada em 4,5 vezes a dívida líquida ajustada/Ebitda projetado para 2025, pelo padrão IAS 17. Assim, o momento exige disciplina financeira maior.
Por outro lado, Santoro passa a acumular funções com pouco tempo na companhia. Dessa forma, o risco de execução aumenta, sobretudo em um ciclo de corte de custos e revisão operacional.
Controle acionário ganha contornos mais claros
Com a saída de Russowsky, completa-se a transição da gestão ligada ao Grupo Casino. Assim, a família Coelho Diniz consolida sua posição como acionista controladora do GPA.
Ainda assim, o JP Morgan manteve recomendação underweight, com as ações negociando a cerca de 5,5 vezes EV/Ebitda estimado para 2026.
Já a XP Investimentos reiterou visão neutra, citando lucros fracos e riscos tributários ainda relevantes.