Mudança estrutural

Canetas emagrecedoras viram ouro para farmácias e o efeito vai além; entenda

Itaú BBA vê farmácias como maiores vencedoras e alerta para pressão em alimentos e bebidas.

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  • GLP-1 pode atingir US$ 9 bilhões no Brasil até 2030
  • Farmácias despontam como principais vencedoras na bolsa
  • Alimentos calóricos e bebidas enfrentam pressão gradual

O avanço das canetas emagrecedoras (GLP-1) deve provocar uma mudança estrutural no consumo no Brasil e criar ganhadores claros na bolsa, segundo relatório do Itaú BBA. O banco estima que o mercado pode alcançar US$ 9 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 40%.

Nesse cenário, o destaque positivo fica para o setor de farmácias, enquanto empresas ligadas a alimentos calóricos e bebidas alcoólicas entram no radar de risco, diante da mudança no comportamento alimentar da população.

Farmácias lideram ganhos

De acordo com o Itaú BBA, redes como RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3) tendem a ser as principais beneficiadas.

Até 2030, o GLP-1 pode responder por cerca de 20% da receita dessas companhias, ante 8% a 9% atualmente.

Com isso, o banco projeta valorização de 12% a 15% no valor por ação até 2027, à medida que a demanda cresce e o Brasil se consolida como um dos maiores mercados globais para esses medicamentos.

Além disso, a elevada prevalência de obesidade e sobrepeso, combinada com fatores culturais ligados à estética, reforça o potencial de expansão do segmento.

Indústria farmacêutica e alimentos no radar

Entre as farmacêuticas, a Hypera (HYPE3) aparece como bem posicionada para o período pós-patente do GLP-1, com potencial de alta de 10% no lucro por ação em 2027, considerando avanço dos genéricos.

Por outro lado, o banco alerta para incertezas sobre concorrência e margens, já que o segmento exige investimentos elevados em força de vendas e relacionamento médico.

Já no setor de consumo, empresas ligadas a alimentos indulgentes e bebidas alcoólicas podem sofrer.

O Itaú BBA estima impacto negativo de cerca de 2% nos resultados de 2027 para companhias como Ambev (ABEV3), Camil (CAML3) e M. Dias Branco (MDIA3), enquanto produtores de proteína tendem a se beneficiar no longo prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.