
A indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Superior Tribunal Militar (STM) entrou no centro de uma nova controvérsia política. A ministra nomeada recebeu R$ 700 mil de uma empresa apontada como parte da estrutura financeira do operador conhecido como “Careca do INSS”, investigado por fraudes milionárias contra aposentados.
Os repasses ocorreram antes da posse no tribunal, mas levantaram questionamentos sobre critérios éticos, conflitos de interesse e o nível de diligência adotado pelo Planalto em nomeações para o Judiciário.
Pagamentos chamam atenção de investigadores
Relatórios financeiros identificaram que o valor de R$ 700 mil foi transferido ao escritório da então advogada em parcela única, em um curto intervalo de tempo, considerado atípico por investigadores.
A empresa responsável pelos pagamentos é citada como parte de um conjunto de pessoas jurídicas usadas para movimentar recursos ligados ao esquema sob investigação no INSS, com cifras que alcançam centenas de milhões de reais.
Defesa da ministra e versão apresentada
Em manifestação, a ministra afirmou que os valores se referem à elaboração de pareceres jurídicos e que os serviços prestados foram legais e compatíveis com sua atuação profissional à época.
Ela também declarou não ter relação pessoal ou profissional com o operador investigado e disse desconhecer qualquer vínculo da empresa com o esquema de fraudes no INSS.
Advogada de Gleisi
A indicação de Verônica também reforçou críticas sobre influência política interna no Palácio do Planalto, uma vez que ela é conhecida de longa data de Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT e nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
Verônica trabalhou como advogada de Gleisi e de seu ex-marido em casos da Operação Lava Jato e teve seu nome anunciado ao lado de Gleisi e da primeira-dama no Dia Internacional da Mulher, fato que adversários políticos interpretaram como sinal de apadrinhamento e articulação política do PT na escolha para o STM.